Acontece dia 13 de dezembro, das 9h às 16h, em Valinhos, na EMEF Antonio Perseghetti, Ponte Alta - Rua Olímpio Folegatti, 16.
Troca de produtos, serviços e saberes dentro dos princípios da Economia Solidária.
Para chegar aqui é facinho... pega o ônibus para Valinhos na Rodoviária do Tiete, viação Lira/Caprioli. Custa 15 reais mais ou menos. Você vai saltar em frente ao evento, após passar a rodoviária de Vinhedo, o ônibus segue para Valinhos. Ele pega a av. Independência e no final dela pega a rod. dos Andradas, que liga os 2 municipios. Salta nas lombadas. Vc vai ver à esquerda uma loja de móveis rústicos (JJ) com uma big faixa escrita BOTA FORA e ao lado a faixa da Feira. Sobe essa rua e acima da praça está a Escola. Os ônibus saem na meia hora (7:30, 8:30...) e leva umas duas horas pra chegar. Na volta pra sampa vc pega o ônibus em frente no outro lado da rod. dos Andradas.
Tragam coisas para trocar.
Mais informação e o blog da Fera: http://feiradetrocasolidariadevalinhos.blogspot.com/
domingo, 6 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
horta na floresta
Aqui é a horta que eu estou plantando em frente de casa... numa mini floresta.
Balsamo

Vaso com couve, cebolinha, beterraba, rabanete e rucula

banana ao fundo, na frente: tomate, alho, couve, rabanete e outras...

tomate
Balsamo
Vaso com couve, cebolinha, beterraba, rabanete e rucula
banana ao fundo, na frente: tomate, alho, couve, rabanete e outras...
tomate
espiral de ervas: manjericão, capuchinha, balsamo, nira, cebolinha, alecrim e outras
Horta na varanda
Compartilho as fotos das plantinhas que eu tenho na varanda...
ao lado da sacada: tomate italiano, salsinha, manjerona, nas prateleiras: orégano, salsinha, babosa.

alho, tomate, alecrim,manjerona
ao lado da sacada: tomate italiano, salsinha, manjerona, nas prateleiras: orégano, salsinha, babosa.
alho, tomate, alecrim,manjerona
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Desescolarizando a Sociedade
Postado por Augusto de Franco - na Rede Românticos Conspiradores, Escola-de-Redes e na Rede Vivo Educação.
ILLICH, Ivan (1970): Deschooling society
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (PDF)
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (RTF)
Bem, prometi que continuaria este post. Agora seguem as razões da insistente divulgação do livro "Desescolarizando a sociedade" (assim deveria ter sido traduzido o título Deschooling Society) do nosso saudoso Ivan Illich. Ele foi o primeiro inspirador das considerações que seguem e merece ser relido, quase 40 anos depois, a luz do que ocorreu no mundo nesse período.
Sim, é urgente desescolarizar a sociedade, mas Illich, conquanto tenha tido essa visão supreendentemente antecipatória, vivia em uma época que não reunia as condições para tal mudança e nem possuia os instrumentos necessários para promovê-la.
Nas últimas décadas a educação se transformou em uma espécie de panacéia, um mito moderno que não aceita ser contestado. Não há platéia, seja qual for o lugar do mundo em que se reúna, que não balance afirmativamente a cabeça quando alguém lhe diz que a solução para todos os males que nos afligem - da insegurança urbana aos obtáculos ao desenvolvimento, das mazelas da democracia realmente existente às ameaças à vida humana em escala planetária - está na educação.
Mas esse mito moderno que, tal como a visão reducionista (ambientalista) da sustentabilidade, parece inspirar um novo tipo de religião laica, é perigosamente regressivo. Pois o que se entende por educação ainda se resume a colocar todos as crianças na escola e a melhorar a escola, sem ver que a escola, longe de ser solução, é parte do problema. E, mais do que isso, sem ver que ela é o problema.
Faço esses comentários preliminares para tentar explicar as razões pelas quais tem surgido com força ultimamente a idéia de promover a articulação de sistemas sócio-educativos, comunidades de aprendizagem, estruturadas em rede e livres dos mecanismos de obstrução, separação e exclusão que caracterizam as burocracias escolares.
A EMERGÊNCIA DOS SISTEMAS SÓCIO-EDUCATIVOS
Não é novidade para ninguém que, no mundo atual, qualquer pessoa que saiba ler e escrever e tenha acesso à Internet pode aprender muito mais do que podia há dez anos. Sim, isso é fato. Uma criança com noções rudimentares de um ou dois idiomas falados por grandes contingentes populacionais (como o inglês ou o espanhol, por exemplo), já é capaz de aprender muito mais – e com mais velocidade – do que um jovem com o dobro da sua idade que, há dez anos, estivesse matriculado em uma instituição de ensino altamente conceituada. Diz-se agora que, se souber ler (e interpretar o que leu), escrever, aplicar conhecimentos básicos de matemática na solução de problemas cotidianos e… banda larga, qualquer um vai sozinho.
A novidade é que isso não depende, nem apenas, nem principalmente, da tecnologia stricto sensu e sim de novos padrões de organização social que estão se configurando na contemporaneidade. Uma sociedade em rede está emergindo e, progressivamente, tornando obsoletos as instituições e os processos hierárquicos da velha sociedade de massa, inclusive as instituições e processos educacionais. Novas tecnologias de informação e comunicação – que permitem a interação horizontal ou entre pares (pessoa-com-pessoa) em tempo real – estão acelerando esse processo. Mas novas tecnologias sociais, tão ou mais importantes do que essas (chamadas TICs), também estão contribuindo para mudar radicalmente as condições de vida e convivência social neste dealbar do século 21.
Tudo isso vai mudar - e em parte já está mudando - a maneira como executamos as nossas atividades empresariais, governamentais e sociais. Vai mudar a maneira como nos organizamos para produzir e comercializar, governar e legislar e conviver com as outras pessoas na sociedade. E – como não poderia deixar de ser – isso também está mudando a forma como aprendemos.
O problema é que as instituições e os processos educativos que foram pensados para um tipo de sociedade que está deixando de existir (à medida que emerge uma nova sociedade cuja morfologia e dinâmica já são, em grande parte, as de uma rede distribuída) ainda remanescem e continuam aplicando seus velhos métodos. Em que pese o papel fundamental que cumpriram nos últimos séculos, essas instituições e processos já começam hoje a ser obstáculos à criatividade e à inovação.
O que tivemos, pelo menos nos dois últimos séculos, foi, em grande parte, uma educação massiva e repetitiva, voltada para enquadrar as pessoas em um tipo insustentável de sociedade (instalando nas suas mentes programas maliciosos, elaborados para implantar noções de ordem, hierarquia, disciplina e obediência) e para adestrar a força de trabalho, para que os indivíduos pudessem reproduzir habilidades requeridas pelos velhos processos produtivos e administrativos e executar rotinas determinadas.
Agora estamos, porém, vivendo a transição para outra época, para uma nova era da informação e do conhecimento, na qual as capacidades exigidas são outras também. Nesta nova sociedade do conhecimento, o que se requer é que as pessoas sejam capazes de criar e de inovar, mudando continuamente os processos de produção e de gestão para descobrir maneiras melhores de fazer e organizar as coisas. E isso elas só conseguirão na medida em que tiverem autonomia para aprender o que quiserem, da forma como quiserem e quando quiserem e para se relacionar produtivamente com outras pessoas de sua escolha, gerando cada vez mais conhecimento – o principal bem, conquanto intangível, deste novo mundo que já está se configurando.
Faz-se necessário, pois, libertar o processo educativo das amarras que tentam normatizá-lo de cima para baixo, em instituições organizadas igualmente de cima para baixo, hierarquizadas, burocratizadas e fechadas, desenhadas para guardar em caixinhas o suposto conhecimento a ser transferido, de uma maneira pré-determinada, para indivíduos que preencherem determinadas condições (e, não raro, à revelia do que eles próprios desejariam de fato aprender). Ora, já se viu que o conhecimento é uma relação social e não um objeto que possa ser estocado, transportado, transferido ou transfundido de um emissor para um receptor. O processo de geração e compartilhamento do conhecimento ocorre na sociedade e torna-se cada vez mais difícil, custoso e improdutivo quando tentamos parti-lo em pedaços para arquivá-lo nos escaninhos de uma organização separada da sociedade por paredes opacas e impermeáveis.
O que de tão importante se descobriu nos últimos anos é que, em última instância, quem é educadora é a sociedade, a cidade, a localidade onde as pessoas vivem e se relacionam. Na verdade, foi uma redescoberta democrática: Péricles, no século 5 a. E. C., já havia percebido este papel educador da polis enquanto comunidade política, quando declarou – segundo Tucídides – na oração fúnebre proferida no final do primeiro ano da guerra do Peloponeso, “que a cidade inteira é a escola da Grécia e creio que qualquer ateniense pode formar uma personalidade completa nos mais distintos aspectos, dotada da maior flexibilidade e, ao mesmo tempo, de encanto pessoal”.
Portanto, sistemas educativos deveriam ser, sempre, sistemas sócio-educativos configurados em localidades, em sócio-territorialidades, quer dizer, em redes sociais que se conformam como comunidades compartilhando agendas de aprendizagem.
Foi com base nessas considerações que surgiu a idéia de induzir a formação de comunidades de aprendizagem – estruturadas em rede – que receberam, então, por analogia com os Arranjos Produtivos Locais (APL), o nome de Arranjos Educativos Locais (AEL). A analogia tem um fundamento. Assim como os APL pretendem aproveitar o capital social de uma localidade como alavanca para induzir a formação do capital econômico, os AEL tentam fazer a mesma coisa para induzir a formação do capital humano.
OS ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS (AEL) COMO EXEMPLO DE SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Arranjos Educativos Locais são uma forma de sistema sócio-educativo. São pessoas que se conectam em rede, em uma localidade, para aprender juntas.
São locais, mas entendendo-se local como cluster, como sócio-territorialidade: pessoas conectadas com uma certa configuração – ou arranjadas de determinada maneira – criando um ambiente capaz de favorecer o processo educativo.
Esse ambiente não é conformado pelas instituições hierárquicas já estabelecidas na localidade e nem pelos recursos materiais disponíveis (salas, prédios e outros equipamentos) e sim pela rede social composta por pessoas interagindo. Quanto mais distribuída e conectada for essa rede, mais o ambiente será favorável ao aprendizado individual e coletivo.
Os AEL estão baseados na idéia de que, para aprender, uma pessoa deve aprender a buscar com autonomia o que lhe interessa da sua própria maneira (tornando-se um buscador) e aprender a compartilhar o que buscou com outras pessoas gerando conhecimento a partir dessa interação (tornando-se um polinizador).
Os AEL não são sistemas educativos (como as escolas) e sim sistemas sócio-educativos. Eles envolvem sempre, necessariamente, uma parcela da sociedade local onde se situam e estão voltados para o desenvolvimento humano e social sustentável (das pessoas e das comunidades) dessa localidade.
Qualquer pessoa que tomar a decisão de catalisar um processo educativo será capaz de fazê-lo em relação àqueles temas com que tenha alguma intimidade. Desde que queira fazer isso. Desde que goste de compartilhar.
Começando pelo mais básico: quem aprendeu a ler, escrever e contar – mesmo que só um pouquinho – pode ajudar outras pessoas a aprenderem isso também; e o melhor é que, assim procedendo, pode aprender ainda mais.
Um jovem que adquiriu habilidades de navegar e publicar na Internet pode ajudar outras pessoas a também adquirir, pelo menos, parte dessas habilidades. Uma pessoa idosa que desenvolveu, ao longo de anos e anos de experimentação, suas próprias práticas de permacultura, pode refazer seu itinerário de aprendizagem com outras pessoas, jovens ou adultas. Fazendo isso não só terá oportunidade de compartilhar o que sabe, mas também de reaprender o que já esqueceu que sabe. E criará conhecimento novo sobre o assunto.
Esta é a essência do AEL.
QUALQUER PESSOA PODE ARTICULAR UM SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Sim, qualquer pessoa ou grupo de pessoas pode tomar a iniciativa de articular e animar um sistema sócio-educativo, como, por exemplo, um AEL. Desde não caia em qualquer uma (ou várias) das sete tentações seguintes:
1 – Reeditar, sob qualquer forma ou a qualquer pretexto, a relação professor-aluno.
2 – Definir currículos top down.
3 – Separar os grupos (comunidades de aprendizagem) por idade, escolaridade ou por qualquer outro critério que não seja o interesse.
4 – Tratar o conhecimento como objeto (que possa ser transferido segundo o padrão emissor-receptor) e não como relação (o conhecimento se reinventa toda vez que uma interação entre sujeitos do processo educativo se realiza).
5– Estabelecer um padrão de ensino no lugar de aprendizagem: os AEL não dão cursos, nem têm classes ou turmas, mas somente comunidades de aprendizagem, clusters conformados a partir de agendas compartilhadas de aprendizagem.
6 – Focalizar o trabalho na melhoria da escola, tentar complementá-la ou suplementá-la, ou montar uma escola ou para-escola dita “alternativa” ou “nova”.
7 – Estabelecer uma hierarquia, mesmo que meritocrática, encarando os agentes comunitários de educação (stricto sensu, os catalisadores, facilitadores ou mediadores do processo de aprendizagem) como superiores, em algum sentido, aos demais agentes comunitários de educação (lato sensu, as pessoas que interagem nas comunidades – em rede – de aprendizagem): no AEL todos são aprendentes.
Conseguir não-fazer essas coisas já seria suficiente. Mas isso, infelizmente, é bem mais difícil do que parece. Na frente de um grupo qualquer de pessoas desejosas de aprender alguma coisa, somos tomados - se avaliamos que sabemos mais do que elas sobre algum assunto - por uma irrefreável compulsão de ensinar, de se comportar como professor, como um sujeito acima que vai então transfundir o seu conhecimento para os que estão abaixo. Na verdade, isso parece ser uma pulsão mesmo, um vaga inconsciente que vem lá daquelas profundezas escuras onde foram e permanecem implantadas as matrizes das separações - entre fortes e fracos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, enfim, entre superiores e inferiores - que geraram esse tipo de civilização em que vivemos.
Falei acima do que não-fazer. Vou colocar agora o que deveríamos manter em uma experiência de sistema sócio-educativo do tipo AEL.
1. A natureza dos AEL como clusters de aprendizagem: aglomerados locais de pessoas e organizações (presentes sempre por meio de pessoas) – conectadas em redes distribuídas – que se formam criando ambientes favoráveis às interações educativas.
2 – O caráter dos AEL de sistemas sócio-educativos (e não apenas sistemas educativos – como as escolas e outros aparatos burocráticos, hierárquicos, voltados ao ensino). Os AEL são uma forma de communityschooling, porém na linha do unschooling; quer dizer, de educação comunitária desescolarizada e viabilizada por meio da conformação de comunidades de aprendizagem (e não de “ensinagem”).
3 – A estratégia dos AEL de aproveitar o capital social existente em uma dada localidade para impulsionar ou alavancar o desenvolvimento do capital humano e incrementar, por realimentação (feedback positivo), o próprio capital social da localidade.
4 – A abertura dos AEL para todos que a eles quiserem se conectar desde que observando suas regras, sem qualquer critério de idade, escolaridade, condição sócio-econômica ou outra condição qualquer que não seja a do interesse em aprender.
5 – O referencial conceitual dos AEL que parte do conectivismo como teoria da aprendizagem e combina métodos de auto-didatismo (incluindo alguns processos já consagrados no homeschooling) com métodos de comum-didatismo (communityschooling), mas sem qualquer ortodoxia metodológica ou pedagógica.
6 – A composição dos AEL: um AEL é composto por agentes comunitários de educação lato sensu. Todas as pessoas que interagem em um Arranjo Educativo Local, individualmente ou representando uma organização social, empresarial ou governamental, são – no sentido mais geral da expressão – agentes comunitários de educação, inclusive os que os sistemas educativos chamam de “alunos”.
7 – O padrão de organização dos AEL, que se estruturam e funcionam sempre como redes distribuídas de pessoas, ou seja, como redes sociais, articuladas e animadas presencialmente e à distância. Essas redes devem buscar alcançar o grau máximo de distribuição e conectividade (todos-com-todos) de sorte a ensejar a geração de verdadeiras comunidades (de aprendizagem). Delas participam os agentes (stricto sensu, os ACE – Agentes Comunitários de Educação), os educadores-educandos (aprendentes), as pessoas que representam os parceiros institucionais e outros stakeholders sociais da iniciativa.
8 – Os Agentes Comunitários de Educação (ACE, stricto sensu), que são os catalisadores de processos de aprendizagem, especialmente preparados e voltados (motivados e capacitados) para essa função. Além de catalisarem o processo de aprendizagem, cabe também aos ACE visitar regularmente as pessoas da localidade, de preferência de casa em casa (tal como fazem os Agentes Comunitários de Saúde) no início para explicar o projeto e, depois, para relatar os avanços obtidos e as dificuldades encontradas, mantendo as pessoas informadas. Cabe ainda aos ACE fazer o netweaving da rede virtual que se organizará em cada AEL, administrando a plataforma interativa utilizada.
9 – As agendas de aprendizagem em torno das quais se formam as comunidades de aprendizagem em rede. Essas agendas podem ser variadas (por exemplo, alfabetização na língua natal ou em línguas estrangeiras, matemática, lógica, alfabetização digital, educação científica, artes, esportes e cultura, educação na sustentabilidade, educação para a democracia etc.), mas devem sempre ensejar oportunidades aos educandos de “andar com as próprias pernas”, transformando-se em buscadores cada vez mais autônomos e polinizadores (ou construtores coletivos de conhecimentos) cada vez mais interdependentes.
10 – A rede social mais ampla que deve ser articulada e animada conectando (pelo menos 1%) das pessoas da localidade, dos promotores, parceiros e apoiadores da iniciativa que estejam dispostas a acompanhar e interagir com o programa, mesmo que não participem diretamente como aprendentes (educadores-educandos) das atividades dos AEL. Essa ligação com a sociedade são as raízes sociais do programa, o seu lastro de capilaridade social. É por meio desses “dutos” que o capital social da localidade será “importado” como um recurso capaz de fazer a diferença no processo sócio-educativo.
11 – O engajamento da rede AEL na indução do desenvolvimento humano e social sustentável da localidade. Este é um trabalho prático – voluntário – de investimento no capital social da localidade.É claro que outras visões são possíveis. Essa, entretanto, é a visão de algumas pessoas que - como eu - participaram da proposição de uma experiência fundante que está sendo ensaiada neste momento em duas localidades do Paraná (na iniciativa denominada Projeto Arranjos Educativos Locais Sesi-Senai/PR 2009, do Sistema FIEP).
ILLICH, Ivan (1970): Deschooling society
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (PDF)
ILLICH, Ivan (1970): Sociedade sem escolas (RTF)
Bem, prometi que continuaria este post. Agora seguem as razões da insistente divulgação do livro "Desescolarizando a sociedade" (assim deveria ter sido traduzido o título Deschooling Society) do nosso saudoso Ivan Illich. Ele foi o primeiro inspirador das considerações que seguem e merece ser relido, quase 40 anos depois, a luz do que ocorreu no mundo nesse período.
Sim, é urgente desescolarizar a sociedade, mas Illich, conquanto tenha tido essa visão supreendentemente antecipatória, vivia em uma época que não reunia as condições para tal mudança e nem possuia os instrumentos necessários para promovê-la.
Nas últimas décadas a educação se transformou em uma espécie de panacéia, um mito moderno que não aceita ser contestado. Não há platéia, seja qual for o lugar do mundo em que se reúna, que não balance afirmativamente a cabeça quando alguém lhe diz que a solução para todos os males que nos afligem - da insegurança urbana aos obtáculos ao desenvolvimento, das mazelas da democracia realmente existente às ameaças à vida humana em escala planetária - está na educação.
Mas esse mito moderno que, tal como a visão reducionista (ambientalista) da sustentabilidade, parece inspirar um novo tipo de religião laica, é perigosamente regressivo. Pois o que se entende por educação ainda se resume a colocar todos as crianças na escola e a melhorar a escola, sem ver que a escola, longe de ser solução, é parte do problema. E, mais do que isso, sem ver que ela é o problema.
Faço esses comentários preliminares para tentar explicar as razões pelas quais tem surgido com força ultimamente a idéia de promover a articulação de sistemas sócio-educativos, comunidades de aprendizagem, estruturadas em rede e livres dos mecanismos de obstrução, separação e exclusão que caracterizam as burocracias escolares.
A EMERGÊNCIA DOS SISTEMAS SÓCIO-EDUCATIVOS
Não é novidade para ninguém que, no mundo atual, qualquer pessoa que saiba ler e escrever e tenha acesso à Internet pode aprender muito mais do que podia há dez anos. Sim, isso é fato. Uma criança com noções rudimentares de um ou dois idiomas falados por grandes contingentes populacionais (como o inglês ou o espanhol, por exemplo), já é capaz de aprender muito mais – e com mais velocidade – do que um jovem com o dobro da sua idade que, há dez anos, estivesse matriculado em uma instituição de ensino altamente conceituada. Diz-se agora que, se souber ler (e interpretar o que leu), escrever, aplicar conhecimentos básicos de matemática na solução de problemas cotidianos e… banda larga, qualquer um vai sozinho.
A novidade é que isso não depende, nem apenas, nem principalmente, da tecnologia stricto sensu e sim de novos padrões de organização social que estão se configurando na contemporaneidade. Uma sociedade em rede está emergindo e, progressivamente, tornando obsoletos as instituições e os processos hierárquicos da velha sociedade de massa, inclusive as instituições e processos educacionais. Novas tecnologias de informação e comunicação – que permitem a interação horizontal ou entre pares (pessoa-com-pessoa) em tempo real – estão acelerando esse processo. Mas novas tecnologias sociais, tão ou mais importantes do que essas (chamadas TICs), também estão contribuindo para mudar radicalmente as condições de vida e convivência social neste dealbar do século 21.
Tudo isso vai mudar - e em parte já está mudando - a maneira como executamos as nossas atividades empresariais, governamentais e sociais. Vai mudar a maneira como nos organizamos para produzir e comercializar, governar e legislar e conviver com as outras pessoas na sociedade. E – como não poderia deixar de ser – isso também está mudando a forma como aprendemos.
O problema é que as instituições e os processos educativos que foram pensados para um tipo de sociedade que está deixando de existir (à medida que emerge uma nova sociedade cuja morfologia e dinâmica já são, em grande parte, as de uma rede distribuída) ainda remanescem e continuam aplicando seus velhos métodos. Em que pese o papel fundamental que cumpriram nos últimos séculos, essas instituições e processos já começam hoje a ser obstáculos à criatividade e à inovação.
O que tivemos, pelo menos nos dois últimos séculos, foi, em grande parte, uma educação massiva e repetitiva, voltada para enquadrar as pessoas em um tipo insustentável de sociedade (instalando nas suas mentes programas maliciosos, elaborados para implantar noções de ordem, hierarquia, disciplina e obediência) e para adestrar a força de trabalho, para que os indivíduos pudessem reproduzir habilidades requeridas pelos velhos processos produtivos e administrativos e executar rotinas determinadas.
Agora estamos, porém, vivendo a transição para outra época, para uma nova era da informação e do conhecimento, na qual as capacidades exigidas são outras também. Nesta nova sociedade do conhecimento, o que se requer é que as pessoas sejam capazes de criar e de inovar, mudando continuamente os processos de produção e de gestão para descobrir maneiras melhores de fazer e organizar as coisas. E isso elas só conseguirão na medida em que tiverem autonomia para aprender o que quiserem, da forma como quiserem e quando quiserem e para se relacionar produtivamente com outras pessoas de sua escolha, gerando cada vez mais conhecimento – o principal bem, conquanto intangível, deste novo mundo que já está se configurando.
Faz-se necessário, pois, libertar o processo educativo das amarras que tentam normatizá-lo de cima para baixo, em instituições organizadas igualmente de cima para baixo, hierarquizadas, burocratizadas e fechadas, desenhadas para guardar em caixinhas o suposto conhecimento a ser transferido, de uma maneira pré-determinada, para indivíduos que preencherem determinadas condições (e, não raro, à revelia do que eles próprios desejariam de fato aprender). Ora, já se viu que o conhecimento é uma relação social e não um objeto que possa ser estocado, transportado, transferido ou transfundido de um emissor para um receptor. O processo de geração e compartilhamento do conhecimento ocorre na sociedade e torna-se cada vez mais difícil, custoso e improdutivo quando tentamos parti-lo em pedaços para arquivá-lo nos escaninhos de uma organização separada da sociedade por paredes opacas e impermeáveis.
O que de tão importante se descobriu nos últimos anos é que, em última instância, quem é educadora é a sociedade, a cidade, a localidade onde as pessoas vivem e se relacionam. Na verdade, foi uma redescoberta democrática: Péricles, no século 5 a. E. C., já havia percebido este papel educador da polis enquanto comunidade política, quando declarou – segundo Tucídides – na oração fúnebre proferida no final do primeiro ano da guerra do Peloponeso, “que a cidade inteira é a escola da Grécia e creio que qualquer ateniense pode formar uma personalidade completa nos mais distintos aspectos, dotada da maior flexibilidade e, ao mesmo tempo, de encanto pessoal”.
Portanto, sistemas educativos deveriam ser, sempre, sistemas sócio-educativos configurados em localidades, em sócio-territorialidades, quer dizer, em redes sociais que se conformam como comunidades compartilhando agendas de aprendizagem.
Foi com base nessas considerações que surgiu a idéia de induzir a formação de comunidades de aprendizagem – estruturadas em rede – que receberam, então, por analogia com os Arranjos Produtivos Locais (APL), o nome de Arranjos Educativos Locais (AEL). A analogia tem um fundamento. Assim como os APL pretendem aproveitar o capital social de uma localidade como alavanca para induzir a formação do capital econômico, os AEL tentam fazer a mesma coisa para induzir a formação do capital humano.
OS ARRANJOS EDUCATIVOS LOCAIS (AEL) COMO EXEMPLO DE SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Arranjos Educativos Locais são uma forma de sistema sócio-educativo. São pessoas que se conectam em rede, em uma localidade, para aprender juntas.
São locais, mas entendendo-se local como cluster, como sócio-territorialidade: pessoas conectadas com uma certa configuração – ou arranjadas de determinada maneira – criando um ambiente capaz de favorecer o processo educativo.
Esse ambiente não é conformado pelas instituições hierárquicas já estabelecidas na localidade e nem pelos recursos materiais disponíveis (salas, prédios e outros equipamentos) e sim pela rede social composta por pessoas interagindo. Quanto mais distribuída e conectada for essa rede, mais o ambiente será favorável ao aprendizado individual e coletivo.
Os AEL estão baseados na idéia de que, para aprender, uma pessoa deve aprender a buscar com autonomia o que lhe interessa da sua própria maneira (tornando-se um buscador) e aprender a compartilhar o que buscou com outras pessoas gerando conhecimento a partir dessa interação (tornando-se um polinizador).
Os AEL não são sistemas educativos (como as escolas) e sim sistemas sócio-educativos. Eles envolvem sempre, necessariamente, uma parcela da sociedade local onde se situam e estão voltados para o desenvolvimento humano e social sustentável (das pessoas e das comunidades) dessa localidade.
Qualquer pessoa que tomar a decisão de catalisar um processo educativo será capaz de fazê-lo em relação àqueles temas com que tenha alguma intimidade. Desde que queira fazer isso. Desde que goste de compartilhar.
Começando pelo mais básico: quem aprendeu a ler, escrever e contar – mesmo que só um pouquinho – pode ajudar outras pessoas a aprenderem isso também; e o melhor é que, assim procedendo, pode aprender ainda mais.
Um jovem que adquiriu habilidades de navegar e publicar na Internet pode ajudar outras pessoas a também adquirir, pelo menos, parte dessas habilidades. Uma pessoa idosa que desenvolveu, ao longo de anos e anos de experimentação, suas próprias práticas de permacultura, pode refazer seu itinerário de aprendizagem com outras pessoas, jovens ou adultas. Fazendo isso não só terá oportunidade de compartilhar o que sabe, mas também de reaprender o que já esqueceu que sabe. E criará conhecimento novo sobre o assunto.
Esta é a essência do AEL.
QUALQUER PESSOA PODE ARTICULAR UM SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
Sim, qualquer pessoa ou grupo de pessoas pode tomar a iniciativa de articular e animar um sistema sócio-educativo, como, por exemplo, um AEL. Desde não caia em qualquer uma (ou várias) das sete tentações seguintes:
1 – Reeditar, sob qualquer forma ou a qualquer pretexto, a relação professor-aluno.
2 – Definir currículos top down.
3 – Separar os grupos (comunidades de aprendizagem) por idade, escolaridade ou por qualquer outro critério que não seja o interesse.
4 – Tratar o conhecimento como objeto (que possa ser transferido segundo o padrão emissor-receptor) e não como relação (o conhecimento se reinventa toda vez que uma interação entre sujeitos do processo educativo se realiza).
5– Estabelecer um padrão de ensino no lugar de aprendizagem: os AEL não dão cursos, nem têm classes ou turmas, mas somente comunidades de aprendizagem, clusters conformados a partir de agendas compartilhadas de aprendizagem.
6 – Focalizar o trabalho na melhoria da escola, tentar complementá-la ou suplementá-la, ou montar uma escola ou para-escola dita “alternativa” ou “nova”.
7 – Estabelecer uma hierarquia, mesmo que meritocrática, encarando os agentes comunitários de educação (stricto sensu, os catalisadores, facilitadores ou mediadores do processo de aprendizagem) como superiores, em algum sentido, aos demais agentes comunitários de educação (lato sensu, as pessoas que interagem nas comunidades – em rede – de aprendizagem): no AEL todos são aprendentes.
Conseguir não-fazer essas coisas já seria suficiente. Mas isso, infelizmente, é bem mais difícil do que parece. Na frente de um grupo qualquer de pessoas desejosas de aprender alguma coisa, somos tomados - se avaliamos que sabemos mais do que elas sobre algum assunto - por uma irrefreável compulsão de ensinar, de se comportar como professor, como um sujeito acima que vai então transfundir o seu conhecimento para os que estão abaixo. Na verdade, isso parece ser uma pulsão mesmo, um vaga inconsciente que vem lá daquelas profundezas escuras onde foram e permanecem implantadas as matrizes das separações - entre fortes e fracos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, enfim, entre superiores e inferiores - que geraram esse tipo de civilização em que vivemos.
Falei acima do que não-fazer. Vou colocar agora o que deveríamos manter em uma experiência de sistema sócio-educativo do tipo AEL.
1. A natureza dos AEL como clusters de aprendizagem: aglomerados locais de pessoas e organizações (presentes sempre por meio de pessoas) – conectadas em redes distribuídas – que se formam criando ambientes favoráveis às interações educativas.
2 – O caráter dos AEL de sistemas sócio-educativos (e não apenas sistemas educativos – como as escolas e outros aparatos burocráticos, hierárquicos, voltados ao ensino). Os AEL são uma forma de communityschooling, porém na linha do unschooling; quer dizer, de educação comunitária desescolarizada e viabilizada por meio da conformação de comunidades de aprendizagem (e não de “ensinagem”).
3 – A estratégia dos AEL de aproveitar o capital social existente em uma dada localidade para impulsionar ou alavancar o desenvolvimento do capital humano e incrementar, por realimentação (feedback positivo), o próprio capital social da localidade.
4 – A abertura dos AEL para todos que a eles quiserem se conectar desde que observando suas regras, sem qualquer critério de idade, escolaridade, condição sócio-econômica ou outra condição qualquer que não seja a do interesse em aprender.
5 – O referencial conceitual dos AEL que parte do conectivismo como teoria da aprendizagem e combina métodos de auto-didatismo (incluindo alguns processos já consagrados no homeschooling) com métodos de comum-didatismo (communityschooling), mas sem qualquer ortodoxia metodológica ou pedagógica.
6 – A composição dos AEL: um AEL é composto por agentes comunitários de educação lato sensu. Todas as pessoas que interagem em um Arranjo Educativo Local, individualmente ou representando uma organização social, empresarial ou governamental, são – no sentido mais geral da expressão – agentes comunitários de educação, inclusive os que os sistemas educativos chamam de “alunos”.
7 – O padrão de organização dos AEL, que se estruturam e funcionam sempre como redes distribuídas de pessoas, ou seja, como redes sociais, articuladas e animadas presencialmente e à distância. Essas redes devem buscar alcançar o grau máximo de distribuição e conectividade (todos-com-todos) de sorte a ensejar a geração de verdadeiras comunidades (de aprendizagem). Delas participam os agentes (stricto sensu, os ACE – Agentes Comunitários de Educação), os educadores-educandos (aprendentes), as pessoas que representam os parceiros institucionais e outros stakeholders sociais da iniciativa.
8 – Os Agentes Comunitários de Educação (ACE, stricto sensu), que são os catalisadores de processos de aprendizagem, especialmente preparados e voltados (motivados e capacitados) para essa função. Além de catalisarem o processo de aprendizagem, cabe também aos ACE visitar regularmente as pessoas da localidade, de preferência de casa em casa (tal como fazem os Agentes Comunitários de Saúde) no início para explicar o projeto e, depois, para relatar os avanços obtidos e as dificuldades encontradas, mantendo as pessoas informadas. Cabe ainda aos ACE fazer o netweaving da rede virtual que se organizará em cada AEL, administrando a plataforma interativa utilizada.
9 – As agendas de aprendizagem em torno das quais se formam as comunidades de aprendizagem em rede. Essas agendas podem ser variadas (por exemplo, alfabetização na língua natal ou em línguas estrangeiras, matemática, lógica, alfabetização digital, educação científica, artes, esportes e cultura, educação na sustentabilidade, educação para a democracia etc.), mas devem sempre ensejar oportunidades aos educandos de “andar com as próprias pernas”, transformando-se em buscadores cada vez mais autônomos e polinizadores (ou construtores coletivos de conhecimentos) cada vez mais interdependentes.
10 – A rede social mais ampla que deve ser articulada e animada conectando (pelo menos 1%) das pessoas da localidade, dos promotores, parceiros e apoiadores da iniciativa que estejam dispostas a acompanhar e interagir com o programa, mesmo que não participem diretamente como aprendentes (educadores-educandos) das atividades dos AEL. Essa ligação com a sociedade são as raízes sociais do programa, o seu lastro de capilaridade social. É por meio desses “dutos” que o capital social da localidade será “importado” como um recurso capaz de fazer a diferença no processo sócio-educativo.
11 – O engajamento da rede AEL na indução do desenvolvimento humano e social sustentável da localidade. Este é um trabalho prático – voluntário – de investimento no capital social da localidade.É claro que outras visões são possíveis. Essa, entretanto, é a visão de algumas pessoas que - como eu - participaram da proposição de uma experiência fundante que está sendo ensaiada neste momento em duas localidades do Paraná (na iniciativa denominada Projeto Arranjos Educativos Locais Sesi-Senai/PR 2009, do Sistema FIEP).
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Compostagem

Eu faço compostagem de duas formas:
1. Abro um buraco na terra, coloco o lixo orgânico, cubro com palha e depois terra. Planto alguma semente.
2. Um garrafão de água 6lt cortado, com a parte do bico maior, enfio essa parte do bico na outra (fundo), coloco um pouco de esterco, terra, e vou colocando lixo orgânico até encher. Tampo com um pedaço de papelão e coloco minhocas. Uso as que encontro aqui no próprio terreno. Fiz agora uma experiência com 4 minhocas. Da outra vez tinham 6 e duas se suicidaram...rsrs pularam fora do garrafão. Não sei o que aconteceu, mas as outras 4 estavam bem... vai ver deu briga entre elas... Usei o composto da outra vez em um mês e tirei também o chorume que usei nas plantas (biofertilizante).
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cartilha de Agricultura Orgânica
O Ministério da Agricultura lançou uma cartilha informando a população sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos, bem como sobre a questão dos produtos transgênicos que "colocam em risco a diversidade de variedades que existem na natureza".
Tive a informação que essas cartilhas não serão distribuidas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição. A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possivel encontrá-la no site:
http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf .
Tive a informação que essas cartilhas não serão distribuidas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição. A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possivel encontrá-la no site:
http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf .
sexta-feira, 19 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
por Michael Moore,
traduzido daqui
http://www.michaelmoore.com/words/message/index.php?id=248
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a "obsolescência programada"
- a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro - tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os "inferiores" carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para "melhorar" sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei - quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?
Já que a GM será "reorganizada" pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme "Roger & Eu", onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra - uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de "carros" podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas "coisas" irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão "chupando até o caroço". E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.
5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos - isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente - e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway
1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente - e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística - devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos. Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as "Flint - Michigans" deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.
Yours,
Michael Moore
MMFlint@aol.com
MichaelMoore.com
http://www.michaelmoore.com/words/message/index.php?id=248
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a "obsolescência programada"
- a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro - tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os "inferiores" carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para "melhorar" sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei - quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?
Já que a GM será "reorganizada" pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme "Roger & Eu", onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra - uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de "carros" podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas "coisas" irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão "chupando até o caroço". E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.
5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos - isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente - e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway
1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente - e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística - devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos. Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as "Flint - Michigans" deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.
Yours,
Michael Moore
MMFlint@aol.com
MichaelMoore.com
sábado, 30 de maio de 2009
Frase porreta...
"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Link para Download
A Luna mandou por e-mail e deixo aqui no blog pra compartilhar com todos...
BIO LIVROS:
-Agrofloresta
-Bioconstrução
-Biologia geral
-Biologia MArinha
-Botânica
-Ecologia
-Educação Ambiental
-Permacultura
-Sustentabilizadade
Entre outras temas...
http://bio-livros.blogspot.com/
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Em 2003, o presidente da Costa Rica disse...
From the former prez of Costa Rica, in a 2003 speech:
"225 million persons in Latin America, live in poverty. Many of them are part of the 1.2 billion people living on less than one $ per day. I know that we have heard these figures often, so often that we have grown somewhat less sensitive to them. Therefore let me put them in perspective: cows in Europe “earn” 3 to 5 $ per day in agricultural subsidies, and in Japan up to $7 per day! I have nothing against the cows, but I just feel it points out some of the absurdities of our world that we must address!"
Do ex-presidente da Costa Rica, num discurso em 2003:
"225 milhões de pessoas na América Larina vivem na pobreza. Muitas dessas são parte dos 1.2 bilhões de pessoas que vivem com menos de um $ por dia. Eu sei que nós ouvimos essas estatísticas frequentemente, tão frequente que nós crescemos de alguma forma menos sensíveis a elas. Por isso, deixe-me colocá-los em outra perspectiva: vacas na Europa "ganham" 3 a 5 $ por dia em subsídios agrícolas, e no Japão chegam a ganhar até $7 por dia! Eu não tenho nada contra as vacas, mas eu simplesmente acho que isso é um dos absurdos do nosso mundo que nós temos que resolver!"
"225 million persons in Latin America, live in poverty. Many of them are part of the 1.2 billion people living on less than one $ per day. I know that we have heard these figures often, so often that we have grown somewhat less sensitive to them. Therefore let me put them in perspective: cows in Europe “earn” 3 to 5 $ per day in agricultural subsidies, and in Japan up to $7 per day! I have nothing against the cows, but I just feel it points out some of the absurdities of our world that we must address!"
Do ex-presidente da Costa Rica, num discurso em 2003:
"225 milhões de pessoas na América Larina vivem na pobreza. Muitas dessas são parte dos 1.2 bilhões de pessoas que vivem com menos de um $ por dia. Eu sei que nós ouvimos essas estatísticas frequentemente, tão frequente que nós crescemos de alguma forma menos sensíveis a elas. Por isso, deixe-me colocá-los em outra perspectiva: vacas na Europa "ganham" 3 a 5 $ por dia em subsídios agrícolas, e no Japão chegam a ganhar até $7 por dia! Eu não tenho nada contra as vacas, mas eu simplesmente acho que isso é um dos absurdos do nosso mundo que nós temos que resolver!"
350 ppm
Uma entrevista com o diretor 350.org Bill McKibben, republicado de Folha:
AFRA BALAZINAda Folha de S.Paulo
AFRA BALAZINAda Folha de S.Paulo
"O número 350 é o mais importante do planeta", diz o escritor e ambientalista americano Bill McKibben, 48. Essa cifra, diz, significa "segurança climática". Neste caso, ele se refere ao limite de concentração de carbono na atmosfera que o mundo deve adotar para evitar uma catástrofe ambiental, medido em partes por milhão. (mais)
Permafrost - Metano - Aquecimento Global
Existe um fenômeno pouco divulgado, que começou a ser identificado pelos pesquisadores. Os gigantescos depósitos de metano, localizandos embaixo da camada de solo congelado (permafrost) sob o oceano Ártico, começaram a vazar. E eles podem fazer o aquecimento global mergulhar em um processo de aceleração irreversível. É o que relatam pesquisadores da Universidade do Alasca.
Um grupo coordenado pelo cientista Igor Semiletov descobriu que o metano está borbulhando no mar cada vez mais quente do Pólo Norte. O gás escapa em bolhas de buracos na camada de gelo no leito do oceano. Mais de mil medições feitas para avaliar o metano dissolvido na água na costa da Sibéria, feitas durante o verão, revelaram que os níveis do gás estão altos como nunca.
“As concentrações de metano são as mais altas já medidas no verão no Oceano Ártico”, diz Semiletov. Esse vazamento de metano é preocupante por vários motivos.
Primeiro, muitos pesquisadores temem que um grande vazamento de metano do Ártico esteve ligado às transformações climáticas que provocaram uma das maiores ondas de extinção da Terra, há 250 milhões de anos, entre os períodos Permiano e Triássico. Na ocasião, 96% das espécies marinhas desapareceram e 70% dos vertebrados terrestres também sumiram. Um vazamento como esse também é associado a um período extremamente quente há 55 milhões de anos, chamado Termal Máximo do Paleoceno-Eoceno. Foi uma onda de extinções também grande, que abriu caminho para o desenvolvimento dos mamíferos atuais.
A segunda razão para preocupação é que os depósitos de metano sob o oceano são tão grandes e esse gás tem um poder tão alto para aquecer a atmosfera. Segundo alguns pesquisadores, basta soltar uma pequena fração desses depósitos para que qualquer esforço para estabilizar as emissões em níveis não catastróficos fique impossível.
A terceira causa para preocupação é que a agência americana responsável por oceanos e atmosfera, a NOAA, revelou que os níveis de metano na atmosfera da Terra subiram acentuadamente pela primeira vez desde 1998, quando esse acompanhamento começou. Isso indicaria que o vazamento de metano provocado pelo derretimento do Ártico já estaria alterando a química da atmosfera rapidamente.
Esse metano foi gerado pela decomposição de matéria orgânica – plantas e animais – há milhões de anos, em períodos em que a Terra esteve mais quente. E esteve aprisionado sob a camada de gelo embaixo do mar durante todo esse tempo.
Semiletov mede os níveis de metano na costa da Sibéria desde 1994. Nunca havia detectado elevações nos níveis de metano na década de 90. Mas desde 2003 ele diz que vem observando pontos de concentração excessiva do gás no oceano. Segundo ele, o derretimento do permafrost submarine pode ser consequência do crescente volume de água mais quente que vem dos rios siberianos. O volume deles têm aumentado devido ao derretimento do permafrost em terra firme.
A linha vermelha do gráfico abaixo mostra como a descarga de metano do Ártico pode estar provocando uma elevação dos níveis de metano na atmosfera da Terra. A linha vermelha mostra o nível de metano na atmosfera desde 2004. Além da oscilação sazonal de cada ano, há uma clara elevação no último ano medido.

(Alexandre Mansur)
Um grupo coordenado pelo cientista Igor Semiletov descobriu que o metano está borbulhando no mar cada vez mais quente do Pólo Norte. O gás escapa em bolhas de buracos na camada de gelo no leito do oceano. Mais de mil medições feitas para avaliar o metano dissolvido na água na costa da Sibéria, feitas durante o verão, revelaram que os níveis do gás estão altos como nunca.
“As concentrações de metano são as mais altas já medidas no verão no Oceano Ártico”, diz Semiletov. Esse vazamento de metano é preocupante por vários motivos.
Primeiro, muitos pesquisadores temem que um grande vazamento de metano do Ártico esteve ligado às transformações climáticas que provocaram uma das maiores ondas de extinção da Terra, há 250 milhões de anos, entre os períodos Permiano e Triássico. Na ocasião, 96% das espécies marinhas desapareceram e 70% dos vertebrados terrestres também sumiram. Um vazamento como esse também é associado a um período extremamente quente há 55 milhões de anos, chamado Termal Máximo do Paleoceno-Eoceno. Foi uma onda de extinções também grande, que abriu caminho para o desenvolvimento dos mamíferos atuais.
A segunda razão para preocupação é que os depósitos de metano sob o oceano são tão grandes e esse gás tem um poder tão alto para aquecer a atmosfera. Segundo alguns pesquisadores, basta soltar uma pequena fração desses depósitos para que qualquer esforço para estabilizar as emissões em níveis não catastróficos fique impossível.
A terceira causa para preocupação é que a agência americana responsável por oceanos e atmosfera, a NOAA, revelou que os níveis de metano na atmosfera da Terra subiram acentuadamente pela primeira vez desde 1998, quando esse acompanhamento começou. Isso indicaria que o vazamento de metano provocado pelo derretimento do Ártico já estaria alterando a química da atmosfera rapidamente.
Esse metano foi gerado pela decomposição de matéria orgânica – plantas e animais – há milhões de anos, em períodos em que a Terra esteve mais quente. E esteve aprisionado sob a camada de gelo embaixo do mar durante todo esse tempo.
Semiletov mede os níveis de metano na costa da Sibéria desde 1994. Nunca havia detectado elevações nos níveis de metano na década de 90. Mas desde 2003 ele diz que vem observando pontos de concentração excessiva do gás no oceano. Segundo ele, o derretimento do permafrost submarine pode ser consequência do crescente volume de água mais quente que vem dos rios siberianos. O volume deles têm aumentado devido ao derretimento do permafrost em terra firme.
A linha vermelha do gráfico abaixo mostra como a descarga de metano do Ártico pode estar provocando uma elevação dos níveis de metano na atmosfera da Terra. A linha vermelha mostra o nível de metano na atmosfera desde 2004. Além da oscilação sazonal de cada ano, há uma clara elevação no último ano medido.

(Alexandre Mansur)
sábado, 23 de maio de 2009
COMO FUNCIONA A ECONOMIA.
Mês de agosto, às margens do Mar Negro. Chovia muito e o vilarejo estava totalmente abandonado.
Eram tempos muito difíceis e todos tinham dívidas e viviam de empréstimos.
De repente, chega ao vilarejo um turista muito rico. Entra no único hotel do vilarejo, coloca sobre o balcão uma nota de 100 euros e sobe as escadas para escolher um quarto.
O dono do hotel pega os 100 euros e corre para pagar sua dívida com o açougueiro.
O açougueiro pega o dinheiro e corre para pagar o criador de gado.
O criador pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do vilarejo, que por conta da crise, trabalhou fiado.
A prostituta corre para o hotel e paga o dono pelos quartos que alugou para atender seus clientes.
Nesse instante, o turista desce as escadas após examinar os quartos, pega o dinheiro de volta, diz que não gostou de nenhum dos quartos e abandona o vilarejo.
Ninguém lucrou absolutamente nada, mas toda a aldeia vive hoje sem dívidas, otimista por um futuro melhor....
Eram tempos muito difíceis e todos tinham dívidas e viviam de empréstimos.
De repente, chega ao vilarejo um turista muito rico. Entra no único hotel do vilarejo, coloca sobre o balcão uma nota de 100 euros e sobe as escadas para escolher um quarto.
O dono do hotel pega os 100 euros e corre para pagar sua dívida com o açougueiro.
O açougueiro pega o dinheiro e corre para pagar o criador de gado.
O criador pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do vilarejo, que por conta da crise, trabalhou fiado.
A prostituta corre para o hotel e paga o dono pelos quartos que alugou para atender seus clientes.
Nesse instante, o turista desce as escadas após examinar os quartos, pega o dinheiro de volta, diz que não gostou de nenhum dos quartos e abandona o vilarejo.
Ninguém lucrou absolutamente nada, mas toda a aldeia vive hoje sem dívidas, otimista por um futuro melhor....
quarta-feira, 20 de maio de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Módulo Economia, minhas impressões...
Adão & Eva - L'Animateur - The Animator - Der Trickzeichner
> http://www.youtube.com/watch?v=gQQVpCdug1k
Lead India 2: Tum Chalo to Hindustan Chale (New Anthem)
> http://www.youtube.com/watch?v=A0M0EZ8T5J8&feature=PlayList&p=4E35F84A5664F9A2&index=0&playnext=1
"...os homens trabalham à sombra de um erro, lançando ao solo para adubo o que tem de melhor. Por uma sina ilusória, vulgarmente chamada necessidade, desgastam-se a amontoar tesouros que a traça e a ferrugem estragarão e que surgem ladrões para roubar. É uma vida de imbecis, como perceberão ao fim dela, se não antes." H.D.Thoreau
A Crise Financeira sem mistérios - Ladislaw Dowbor
chave: Salvar o sistema ou transformá-lo?
"Quem foi q disse q devemos dedicar os dias úteis ao dinehiro e o amor às horas vagas?" Mais Thoreau
Consumo responsável - "Viva bem nomundo q vc tem!"
A nossa economia quer q façamos do consumo o nosso modo de vida, convertendo compra e uso de mercadoria em ritual - buscando satisfação espiritual...

AMO MUITO TUDO ISSO
O mito da caverna (Platão) por Maurício de Souza - http://www.monica.com.br/comics/piteco/welcome.htm
Necessidade premente de ampliar repertório de entendimentos
Normose - A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma deteminada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte.[1]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Normose
Vídeo: Dinheiro como dívida
http://www.youtube.com/watch?v=YODjF4VTcTs&feature=PlayList&p=563AEBBD4EEFDDCB&index=0&playnext=1
World Café
1ª Como me posiciono face ao modelo econômico? Como agente ou como vítima?
2ª Q tipo de transformação vc entende necessária nomodelo econômico e pq?
3ª Qual é a minha responsabilidade e meu próximo passo?
Zeitgeist (comentado sobre o vídeo)
http://www.youtube.com/watch?v=Opsvq7vId3I
"O homem já nasce devendo 9 meses de alugel para a mulher"
Economia ecológica e ambiental
- sistema economico afeta os ecossistemas
UTOPIA - linha do horizonte - serve para a gente caminhar...
"O índio não entende a posse da terra"
A europa se fez com as reiquezas da África, Américas, Índia
Templários - medidas - início da economia
> http://www.youtube.com/watch?v=gQQVpCdug1k
Lead India 2: Tum Chalo to Hindustan Chale (New Anthem)
> http://www.youtube.com/watch?v=A0M0EZ8T5J8&feature=PlayList&p=4E35F84A5664F9A2&index=0&playnext=1
"...os homens trabalham à sombra de um erro, lançando ao solo para adubo o que tem de melhor. Por uma sina ilusória, vulgarmente chamada necessidade, desgastam-se a amontoar tesouros que a traça e a ferrugem estragarão e que surgem ladrões para roubar. É uma vida de imbecis, como perceberão ao fim dela, se não antes." H.D.Thoreau
A Crise Financeira sem mistérios - Ladislaw Dowbor
chave: Salvar o sistema ou transformá-lo?
"Quem foi q disse q devemos dedicar os dias úteis ao dinehiro e o amor às horas vagas?" Mais Thoreau
Consumo responsável - "Viva bem nomundo q vc tem!"
A nossa economia quer q façamos do consumo o nosso modo de vida, convertendo compra e uso de mercadoria em ritual - buscando satisfação espiritual...

AMO MUITO TUDO ISSO
O mito da caverna (Platão) por Maurício de Souza - http://www.monica.com.br/comics/piteco/welcome.htm
Necessidade premente de ampliar repertório de entendimentos
Normose - A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma deteminada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte.[1]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Normose
Vídeo: Dinheiro como dívida
http://www.youtube.com/watch?v=YODjF4VTcTs&feature=PlayList&p=563AEBBD4EEFDDCB&index=0&playnext=1
World Café
1ª Como me posiciono face ao modelo econômico? Como agente ou como vítima?
2ª Q tipo de transformação vc entende necessária nomodelo econômico e pq?
3ª Qual é a minha responsabilidade e meu próximo passo?
Zeitgeist (comentado sobre o vídeo)
http://www.youtube.com/watch?v=Opsvq7vId3I
"O homem já nasce devendo 9 meses de alugel para a mulher"
Economia ecológica e ambiental
- sistema economico afeta os ecossistemas
UTOPIA - linha do horizonte - serve para a gente caminhar...
"O índio não entende a posse da terra"
A europa se fez com as reiquezas da África, Américas, Índia
Templários - medidas - início da economia
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Economia da Simplicidade
Alguns links q achei interessantes para compartilhar uma visão de uma economia da simplicidade.
- Henry David Thoreau, contemporâneo de Tolstoi e Ghandi. Escreveu Walden ou vida nos bosques, qdo passou 2 anos no lago Walden, vivendo apenas de seu trabalho na terra. Escreveu: Desobediência Civil, um dos livros que motivaram Ghandi na revolução pacífica.
o link para os dois livros:
1. http://www.4shared.com/file/73336663/45564cdd/Henry_D_Thoreau_-_Walden_ou_a_vida_nos_bosques.html?s=1
2. http://www.4shared.com/file/17653171/6d7fb380/David_Thoreau_-_Desobediencia_civil.html?s=1
- Ismael Costa - O Planeta Feliz - A obra consiste em um vislumbre de como se constituiria a estrutura e o funcionamento de um sistema social harmônico baseado nos princípios de formação orgânica saudável. As análises se estendem ao funcionamento da dinâmica social, aos modos de trabalho, as relações com os alimentos, a estrutura das cidades, da Universidade, a organização familiar, as conformações hierárquicas, aos sentimentos humanos, aos princípios concernentes ao organismo social a partir dos seres vivos, aos modos de atingirmos tal sistema social e muitos outros aspectos. O livro está disponível na condição de domínio público. Tal condição será melhor entendida, após a leitura dos três primeiros parágrafos da introdução.
link: http://www.4shared.com/file/36391830/aaa3c56d/o_planeta_feliz_Ismael_Costa.html?s=1
- Simplicidade Voluntária: Na aplicação da Simplicidade Voluntária podemos utilizar um modelo conceitual com cinco níveis de atuação e aprimoramento:
. sistemas de energia / alimentos
. transportes / comunicação
. relações com os outros seres
. habitação / assentamentos humanos
. educação / cultura.
link: http://www.simplicidade.net/abertura.htm
- Miyozo Yamaguishi - A Sociedade Feliz
links: http://www.yamaguishi.com.br/associacao/movimento/default.asp
www.associacaofelicidade.org.br/
- Henry David Thoreau, contemporâneo de Tolstoi e Ghandi. Escreveu Walden ou vida nos bosques, qdo passou 2 anos no lago Walden, vivendo apenas de seu trabalho na terra. Escreveu: Desobediência Civil, um dos livros que motivaram Ghandi na revolução pacífica.
o link para os dois livros:
1. http://www.4shared.com/file/73336663/45564cdd/Henry_D_Thoreau_-_Walden_ou_a_vida_nos_bosques.html?s=1
2. http://www.4shared.com/file/17653171/6d7fb380/David_Thoreau_-_Desobediencia_civil.html?s=1
- Ismael Costa - O Planeta Feliz - A obra consiste em um vislumbre de como se constituiria a estrutura e o funcionamento de um sistema social harmônico baseado nos princípios de formação orgânica saudável. As análises se estendem ao funcionamento da dinâmica social, aos modos de trabalho, as relações com os alimentos, a estrutura das cidades, da Universidade, a organização familiar, as conformações hierárquicas, aos sentimentos humanos, aos princípios concernentes ao organismo social a partir dos seres vivos, aos modos de atingirmos tal sistema social e muitos outros aspectos. O livro está disponível na condição de domínio público. Tal condição será melhor entendida, após a leitura dos três primeiros parágrafos da introdução.
link: http://www.4shared.com/file/36391830/aaa3c56d/o_planeta_feliz_Ismael_Costa.html?s=1
- Simplicidade Voluntária: Na aplicação da Simplicidade Voluntária podemos utilizar um modelo conceitual com cinco níveis de atuação e aprimoramento:
. sistemas de energia / alimentos
. transportes / comunicação
. relações com os outros seres
. habitação / assentamentos humanos
. educação / cultura.
link: http://www.simplicidade.net/abertura.htm
- Miyozo Yamaguishi - A Sociedade Feliz
links: http://www.yamaguishi.com.br/associacao/movimento/default.asp
www.associacaofelicidade.org.br/
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
A idéia do Blog
A idéia deste blog é compartilhar informações do curso Gaia, conhecimentos, trocar idéias, projetos e quem sabe fazer alguma parceria... enfim opinem, se expressem e quem quiser participar postando me avisa q eu adiciono.
abs
abs
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Freecycle

Freecycle significa manter coisas úteis fora dos depósitos de lixo.Significa doar algo que não tem mais uso em nossa vida a alguém que poderia prolongar um pouco mais a sua utilidade.Significa dar presentes às pessoas, ao mesmo tempo em que limparmos nossa própria bagunça.Significa criar, construir, e sustentar uma comunidade ecologicamente consciente.Oferecer itens dos quais já não precisamos mais àqueles que precisam deles.
A principal regra: tudo que for postado no website Freecycle deve ser gratuito. Este grupo faz parte da Rede Freecycle, uma organização sem fins lucrativos que reúne pessoas interessadas em deixar seus objetos fora dos depósitos de lixo. Acesse freecycle.org para obter o endereço de outras comunidades e informações sobre o movimento!! E-mail saopaulofreecycle-owner@yahoogroups.com para perguntas ou sugestões!
Água Virtual

Estamos habituados a calcular, no uso doméstico, um consumo médio de 200 litros por habitante/dia. Porém, considerando outros usos, quantos litros de água uma pessoa consome por dia? A resposta está no cálculo da água virtual.
Mas, o que é "água virtual"?
É a quantidade de água gasta para produzir um bem, produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido "virtual", considerando a água necessária aos processos produtivos. É uma medida indireta dos recursos hídricos consumidos por um bem.
Por exemplo, para produtos primários como cereais e frutas, o cálculo da água virtual é relativamente simples: é a relação entre a quantidade total de água usada no cultivo e a produção obtida (m³/ton). A estimativa da água requerida no cultivo dos vários tipos de plantas é feita em função do tipo de solo, clima, técnica de plantio e irrigação, etc. Existem softwares que podem ser usados para este fim. Uma vez obtida a água virtual do produto primário, um inventário hídrico deve ser feito acompanhando os vários passos para obtenção do produto final.
O termo "água virtual" foi introduzido em 1993 por Tony Allan (1). Ele expôs essa idéia durante quase uma década para obter reconhecimento da importância do tema, que envolve disciplinas de meio ambiente, engenharia de alimentos, engenharia de produção agrícola, comércio internacional e tantas outras áreas que se relacionam com a água.
Atualmente, em discussões técnicas, esse parâmetro está sendo avaliado como um instrumento estratégico na política da água. É o caso do comércio agrícola, que promove uma gigantesca transferência de água de regiões onde ela se encontra de forma abundante e de baixo custo, para outras onde ela é escassa, cara e seu uso compete com outras prioridades.
Vale citar como exemplo a China, que importa cerca de 18 milhões de toneladas de soja por ano, a um custo de 3,5 milhões de dólares. Por esse caminho ingressam naquele país cerca de 45 milhões de m³ de água. Um recurso hídrico que a China não teria disponível para cultivar essa soja.
Outro exemplo que vale a pena citar é o das exportações de carne do Brasil. Em 2003, o país mandou para fora 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, com uma receita cambial de 1,5 milhão de dólares. Por esse caminho, acabou exportando também 19,5 km³ de água virtual (19,5 bilhões de m³).
Deve ficar atento ao fato de que estas modalidades de comércio crescerão em futuro próximo, paralelamente ao esgotamento e a contaminação dos recursos hídricos.
Dados recentes da UNESCO (3) dão conta que o comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1.000 a 1.340 km³, sendo:
a 67 % relacionados com o comércio de produtos agrícolas;
a 23 % relacionados com o comércio produtos animais;
a 10 % relacionados com produtos industriais.
No 3º Fórum Mundial da Água, realizado em 2003 nas cidades de Kyoto, Shiga e Osaka, o Brasil foi citado como o 10º exportador de água virtual (atrás de Estados Unidos, Canadá, Tailândia, Argentina, Índia, Austrália, Vietnam, França e Guatemala). Os maiores importadores são: Sri Lanka, Japão, Holanda, Coréia, China, Indonésia, Espanha, Egito, Alemanha e Itália. É interessante notar na figura os fluxos de água virtual no planeta.
Quantificando a "água virtual" de alimentos:
A tabela 1 apresenta os valores de água virtual para alguns produtos. Os valores medidos até agora têm, no entanto, variações em função do método de cultivo, do método de avaliação, etc. É importante notar a ordem de grandeza dos mesmos - é ela que dá relevância ao tema.
Produto Água virtual
(litros de água por kg de alimento produzido)
Arroz - 1.400 a 3.600
Aveia - 2.374
Aves/Galinha - 2.800 a 4.500
Azeite de Oliva - 11.350
Azeitona - 2.500
Banana - 499
Batata - 105 a 160
Beterraba - 193
Cana-de-açúcar - 318
Carne de Boi - 13.500 a 20.700
Carne de porco - 4.600 a 5.900
Laranja e outros citros - 378
Leite - 560 a 865
Manteiga - 18.000
Milho - 450 a 1.600
Óleo de soja - 5405
Ovos - 2.700 a 4.700
Queijo - 5.280
Soja - 2.300 a 2.750
Tomate - 105
Trigo - 1.150 a 2.000
Uva – 455
E quanto uma pessoa consome de água virtual?
Considerando-se uma dieta básica com carne, podemos considerar que uma pessoa consome cerca de 4.000 litros de água virtual por dia. A dieta vegetariana requer em torno de 1.500 litros. Um simples café da manhã, como o mostrado na figura, chega a representar o consumo de 800 litros de água virtual!
Carnívoros consomem 4.000 lt de água virtual por dia
Vegetarianos consemem 1.500 lo de água virtual por dia
http://www.sabesp.com.br
Mas, o que é "água virtual"?
É a quantidade de água gasta para produzir um bem, produto ou serviço. Ela está embutida no produto, não apenas no sentido visível, físico, mas também no sentido "virtual", considerando a água necessária aos processos produtivos. É uma medida indireta dos recursos hídricos consumidos por um bem.
Por exemplo, para produtos primários como cereais e frutas, o cálculo da água virtual é relativamente simples: é a relação entre a quantidade total de água usada no cultivo e a produção obtida (m³/ton). A estimativa da água requerida no cultivo dos vários tipos de plantas é feita em função do tipo de solo, clima, técnica de plantio e irrigação, etc. Existem softwares que podem ser usados para este fim. Uma vez obtida a água virtual do produto primário, um inventário hídrico deve ser feito acompanhando os vários passos para obtenção do produto final.
O termo "água virtual" foi introduzido em 1993 por Tony Allan (1). Ele expôs essa idéia durante quase uma década para obter reconhecimento da importância do tema, que envolve disciplinas de meio ambiente, engenharia de alimentos, engenharia de produção agrícola, comércio internacional e tantas outras áreas que se relacionam com a água.
Atualmente, em discussões técnicas, esse parâmetro está sendo avaliado como um instrumento estratégico na política da água. É o caso do comércio agrícola, que promove uma gigantesca transferência de água de regiões onde ela se encontra de forma abundante e de baixo custo, para outras onde ela é escassa, cara e seu uso compete com outras prioridades.
Vale citar como exemplo a China, que importa cerca de 18 milhões de toneladas de soja por ano, a um custo de 3,5 milhões de dólares. Por esse caminho ingressam naquele país cerca de 45 milhões de m³ de água. Um recurso hídrico que a China não teria disponível para cultivar essa soja.
Outro exemplo que vale a pena citar é o das exportações de carne do Brasil. Em 2003, o país mandou para fora 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, com uma receita cambial de 1,5 milhão de dólares. Por esse caminho, acabou exportando também 19,5 km³ de água virtual (19,5 bilhões de m³).
Deve ficar atento ao fato de que estas modalidades de comércio crescerão em futuro próximo, paralelamente ao esgotamento e a contaminação dos recursos hídricos.
Dados recentes da UNESCO (3) dão conta que o comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1.000 a 1.340 km³, sendo:
a 67 % relacionados com o comércio de produtos agrícolas;
a 23 % relacionados com o comércio produtos animais;
a 10 % relacionados com produtos industriais.
No 3º Fórum Mundial da Água, realizado em 2003 nas cidades de Kyoto, Shiga e Osaka, o Brasil foi citado como o 10º exportador de água virtual (atrás de Estados Unidos, Canadá, Tailândia, Argentina, Índia, Austrália, Vietnam, França e Guatemala). Os maiores importadores são: Sri Lanka, Japão, Holanda, Coréia, China, Indonésia, Espanha, Egito, Alemanha e Itália. É interessante notar na figura os fluxos de água virtual no planeta.
Quantificando a "água virtual" de alimentos:
A tabela 1 apresenta os valores de água virtual para alguns produtos. Os valores medidos até agora têm, no entanto, variações em função do método de cultivo, do método de avaliação, etc. É importante notar a ordem de grandeza dos mesmos - é ela que dá relevância ao tema.
Produto Água virtual
(litros de água por kg de alimento produzido)
Arroz - 1.400 a 3.600
Aveia - 2.374
Aves/Galinha - 2.800 a 4.500
Azeite de Oliva - 11.350
Azeitona - 2.500
Banana - 499
Batata - 105 a 160
Beterraba - 193
Cana-de-açúcar - 318
Carne de Boi - 13.500 a 20.700
Carne de porco - 4.600 a 5.900
Laranja e outros citros - 378
Leite - 560 a 865
Manteiga - 18.000
Milho - 450 a 1.600
Óleo de soja - 5405
Ovos - 2.700 a 4.700
Queijo - 5.280
Soja - 2.300 a 2.750
Tomate - 105
Trigo - 1.150 a 2.000
Uva – 455
E quanto uma pessoa consome de água virtual?
Considerando-se uma dieta básica com carne, podemos considerar que uma pessoa consome cerca de 4.000 litros de água virtual por dia. A dieta vegetariana requer em torno de 1.500 litros. Um simples café da manhã, como o mostrado na figura, chega a representar o consumo de 800 litros de água virtual!
Carnívoros consomem 4.000 lt de água virtual por dia
Vegetarianos consemem 1.500 lo de água virtual por dia
http://www.sabesp.com.br
Créditos de carbono: tapando o sol com a peneira
Até mesmo os países que aderiram ao Protocolo de Kyoto arrumaram uma boa desculpa para continuar poluindo nosso planeta: os Créditos de Carbono.Esses créditos são certificados que garantem aos países industrializados o direito de manterem a emissão de gases causadores do Efeito Estufa. Para tanto, basta que eles invistam em projetos ambientais nos países em desenvolvimento.
Reflorestamento, substituição de óleo diesel por biodiesel ou captação do gás metano de aterros sanitários são alguns deles. Por isso, virou moda para as empresas “ambientalmente responsáveis” comprar Créditos de Carbono.
Para os ambientalistas, a maior preocupação é que os países que mais poluem a atmosfera comprem esses créditos apenas para “ficar em paz com suas consciências”. Eles acreditam também que as empresas poluidoras podem criar mecanismos para burlar a compra de créditos. Sem falar que o plantio de árvores de uma única espécie em larga escala, que é o que ocorre nas áreas de reflorestamento, exaure o solo e danifica profundamente os ecossistemas.
Para Kirsty Clough, do Word Wildlife Fund (WWF), “o reflorestamento não reduz a dependência da sociedade nos combustíveis fósseis, que é o que realmente provoca as mudanças climáticas”. Charles Kronick, líder do Greenpeace na Inglaterra, é definitivo: “o que o planeta precisa mesmo é parar de poluir”.
Reflorestamento, substituição de óleo diesel por biodiesel ou captação do gás metano de aterros sanitários são alguns deles. Por isso, virou moda para as empresas “ambientalmente responsáveis” comprar Créditos de Carbono.
Para os ambientalistas, a maior preocupação é que os países que mais poluem a atmosfera comprem esses créditos apenas para “ficar em paz com suas consciências”. Eles acreditam também que as empresas poluidoras podem criar mecanismos para burlar a compra de créditos. Sem falar que o plantio de árvores de uma única espécie em larga escala, que é o que ocorre nas áreas de reflorestamento, exaure o solo e danifica profundamente os ecossistemas.
Para Kirsty Clough, do Word Wildlife Fund (WWF), “o reflorestamento não reduz a dependência da sociedade nos combustíveis fósseis, que é o que realmente provoca as mudanças climáticas”. Charles Kronick, líder do Greenpeace na Inglaterra, é definitivo: “o que o planeta precisa mesmo é parar de poluir”.
Gaia: a teoria de Darwin dá um passo à frente

A Teoria de Gaia foi formulada por James Lovelock a partir de estudos que ele desenvolveu para a Nasa no final da década de 1960.
A princípio encarada com descrédito pela comunidade científica, hoje ela é considerada como a mais revolucionária maneira de se entender a vida em nosso planeta desde que o biólogo inglês Charles Darwin formulou a Teoria da Evolução das Espécies, ainda em meados do século 19.
Em seus estudos, Darwin concluiu que os seres vivos evoluem adaptando-se ao meio ambiente através da seleção natural. Lovelock deu um passo à frente ao considerar o meio ambiente como um superorganismo que também reage e se adapta às ações realizadas pelos seres vivos.
Comparando a atmosfera da Terra com a de outros planetas como Vênus e Marte, que são considerados mortos, Lovelock concluiu que a biosfera de nosso planeta é um sistema vivo, capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições ambientais. Desse modo, a vida na Terra cria as condições para a sua própria sobrevivência. Mesmo que para isso seja necessária a destruição de algumas espécies.
O nome Gaia vem da deusa grega também conhecida como Gea (geo, em grego, significa terra). Segundo Hesíodo, poeta que viveu no século 8 a.C, ela é a segunda divindade primordial, precedida apenas pelo Caos, o início de tudo.
A princípio encarada com descrédito pela comunidade científica, hoje ela é considerada como a mais revolucionária maneira de se entender a vida em nosso planeta desde que o biólogo inglês Charles Darwin formulou a Teoria da Evolução das Espécies, ainda em meados do século 19.
Em seus estudos, Darwin concluiu que os seres vivos evoluem adaptando-se ao meio ambiente através da seleção natural. Lovelock deu um passo à frente ao considerar o meio ambiente como um superorganismo que também reage e se adapta às ações realizadas pelos seres vivos.
Comparando a atmosfera da Terra com a de outros planetas como Vênus e Marte, que são considerados mortos, Lovelock concluiu que a biosfera de nosso planeta é um sistema vivo, capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições ambientais. Desse modo, a vida na Terra cria as condições para a sua própria sobrevivência. Mesmo que para isso seja necessária a destruição de algumas espécies.
O nome Gaia vem da deusa grega também conhecida como Gea (geo, em grego, significa terra). Segundo Hesíodo, poeta que viveu no século 8 a.C, ela é a segunda divindade primordial, precedida apenas pelo Caos, o início de tudo.
AQUECIMENTO GLOBAL

A Terra ardente
Num artigo apavorante e ao mesmo tempo esclarecedor, James Lovelock, renomado cientista especializado em análises ambientais, adverte: “A Terra está entrando em um estado febril que pode durar mais de 100 mil anos”.
POR JAMES LOVELOCK - FOTOS: GREENSPEACE
Imagine um policial novato extremamente entusiasmado com o cumprimento de seu dever. Imagine agora que ele tenha de dizer a uma família que seu filho foi brutalmente assassinado a pauladas. Ou então, pense em um médico que recebe a incumbência de lhe dizer que você tem um tumor maligno em metástase. Os médicos e policiais sabem que algumas pessoas aceitam a verdade com dignidade. Mas também sabem que outras tentarão negá-la veementemente, mesmo sabendo que isso não mudará a realidade.Sejam quais forem as reações, sem dúvida, dar notícias ruins é sempre uma tarefa difícil. Nós nos sentimos aliviados quando é um juiz quem dá uma sentença de pena de morte. Afinal, temos o conforto de ao menos saber que essa decisão tem uma justificativa moral. Já os médicos e os policiais não têm nenhuma válvula de escape ao cumprir seus deveres. Por essa mesma razão, esse é, para mim, o artigo mais difícil que eu já tive de escrever.
A hipótese que desenvolvi, conhecida como Teoria de Gaia (ver box), entende a Terra como um superorganismo vivo. Como tal, esse organismo pode desfrutar de boa saúde ou simplesmente adoecer.
A Teoria de Gaia fez de mim um médico planetário e o que faço aqui é uma séria análise técnica. Nesse momento, tenho a obrigação profissional de trazer uma má notícia a vocês: os centros de análises climáticas em todo o planeta, que são os equivalentes aos laboratórios de patologia dos hospitais, analisaram as condições físicas da Terra e constataram que ela sofre de uma grave doença. Ela está a ponto de contrair uma febre fatal que poderá durar cerca de 100 mil anos.
Como médico, devo dizer a você, que é membro dessa grande família chamada Terra, que toda a sua civilização está correndo um grave perigo.
Nos últimos três bilhões de anos nosso planeta manteve-se saudável e apto a permitir o desenvolvimento da vida de modo natural. Mas nós poluímos e arranhamos em excesso esse paciente, e o fizemos num momento em que o Sol está superaquecido. Assim, provocamos em Gaia uma febre que agora está se transformando em estado de coma. A Terra já passou por uma situação trágica como essa e demorou mais de 100 mil anos para se recuperar. Nós somos responsáveis por essa nova onda febril e sofreremos duramente as suas conseqüências.
MORTANDADE DE PEIXES
Provocada pelo aquecimento global, a intensa seca atingiu a Amazônia em outubro de 2005 matou, só no Lago do Rei, no município de Várzea (AM), cem toneladas de peixes.
Se continuarmos nesse ritmo que conduzao desequilíbrio ambiental, ainda neste século, a temperatura se elevará em cerca de 8oC nas regiões temperadas e 5oC nos trópicos. Grande parte da massa tropical da Terra se tornará deserta, limitando ainda mais os seus mecanismos de auto-regulação. Some-se a isso o fato de que já devastamos 40% de sua superfície com as atividades industriais e agropecuárias e as perspectivas se tornam ainda mais sombrias. Curiosamente, a poluição causada pelo uso de aerossóis no Hemisfério Norte reduz o aquecimento global ao criar uma camada que reflete a luz solar de volta ao espaço. Esse “escurecimento global” é transitório e poderá desaparecer em pouco tempo, deixando-nos inteiramente expostos ao calor da estufa global. Nesse momento, vivemos um clima enganoso, que é mantido acidentalmente fresco pela camada de poluentes. Porém, o desenlace mais provável é que bilhões de pessoas morrerão antes do final do século 21. Os únicos sobreviventes serão os povos que habitam a região do Ártico, onde o clima ainda permanecerá tolerável. Nós não estamos percebendo que a Terra regula sintomaticamente seu clima e sua composição. Estamos cometendo um erro gravíssimo ao tentar cuidar, nós mesmos, dessa tarefa, como se estivéssemos no comando desses mecanismos reguladores altamente complexos.
Essa tentativa descabida nos condena ao pior tipo de escravidão.Se nos elegermos como administradores do planeta, automaticamente nos tornaremos responsáveis por manter sua atmosfera, oceanos e superfícies sempre favoráveis à vida. Logo descobriremos que essa é uma tarefa impossível de ser realizada. Afinal, temos retribuído com devastação desenfreada a todas as comodidades que o planeta nós tem graciosamente oferecido por milênios.Para compreender como essa tarefa é impossível, pense como você, caso estivesse gravemente adoecido, poderia regular sua própria temperatura ou a composição de seu sangue sem ajuda médica. Pessoas que têm rins debilitados conhecem bem a interminável dificuldade diária de ajustar equilibradamente as entradas de água, sal e proteínas no organismo. O apoio tecnológico da diálise pode até ajudar, mas está longe de se comparar com a qualidade garantida por rins que funcionam saudavelmente.
Em meu novo livro, A Vingança de Gaia, faço uma extensa análise dessas questões. No entanto, você ainda pode estar se perguntando: “Por quê a ciência demorou tanto tempo para reconhecer a verdadeira natureza da Terra?”Acredito que seja porque a visão de Darwin foi tão clara e tão bem elaborada que, até hoje, estamos assimilando os seus conceitos. Contudo, vale lembrar que, quando ele desenvolveu a Teoria da Evolução das Espécies, o conhecimento sobre a química da atmosfera e dos oceanos ainda era muito limitado. Darwin não dispunha de informações suficientes para saber que os organismos vivos tanto podem se adaptar ao meio ambiente como podem, também, provocar alterações nele.Se Darwin soubesse que a vida e o meio ambiente estão conectados de maneira tão íntima, ele veria que a evolução envolve não apenas os organismos vivos, mas a superfície planetária como um todo.
GLACIARES DESAPARECEM
O retrocesso do gelo é evidente.
Nós vimos a Terra do espaço e, lá de cima, pudemos percebê-la como um organismo vivo. Sabemos que não podemos poluir o ar ou usar a superfície terrestre – os ecossistemas de suas florestas e oceanos – como uma mera fonte de produtos para nos alimentar e fornecer mais conforto. Sabemos instintivamente que esses ecossistemas devem ser preservados porque fazem parte da Terra viva. Sendo assim o que deveríamos fazer? Primeiramente, temos de nos conscientizar do ritmo acelerado em que as mudanças ambientais estão ocorrendo. E também de como temos pouco tempo para agir se quisermos evitar o pior. Diante da urgência desse quadro, cada comunidade e cada nação devem fazer o melhor uso de seus recursos para garantir a sobrevivência da civilização pelo maior tempo possível. A civilização é movida a energia e nós não podemos simplesmente desligá-la. Portanto, necessitamos de uma redução de consumo em bases seguras. Devemos ser conscientes de que devemos pensar na humanidade como um todo e não apenas em nós mesmos.
A mudança ambiental é global, mas cada região do globo tem suas particularidades. Eu, por exemplo, moro na Inglaterra. Nós, cidadãos britânicos, temos de tratar das conseqüências aqui no Reino Unido. Infelizmente, temos tantas áreas urbanizadas em nossa nação que hoje somos praticamente uma única grande cidade. Restaram pouquíssimas áreas para a agricultura e para a preservação das florestas.
Assim, nós ingleses, dependemos do mundo para sobreviver. A mudança climática irá nos negar as fontes de alimento e de combustível que vêm de outros países. Na Inglaterra, podemos até crescer mantendo um nível de consumo como o que adotamos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas chega a ser ridícula a idéia de que meu país tem terra suficiente para produzir biocombustíveis ou para implantar fazendas movidas à energia eólica.
EXTINÇÃO DE ESPÉCIES
Espécies delicadas como o beija-flor nectarina, da África do Sul, serão duramente afetadas pelo efeito estufa e poderão se extinguir.
Tenho certeza de que nós, ingleses, faremos de tudo para sobreviver. Mas infelizmente não vejo os Estados Unidos ou as grandes economias emergentes, como a China e a Índia, voltando no tempo. O pior é que sabemos que esses países são os que mais emitem gases na atmosfera. A catástrofe irá ocorrer e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal. O mais triste de tudo é que Gaia perderá muito mais do que nós. Não serão apenas animais selvagens e ecossistemas inteiros que irão desaparecer: desaparecerão também preciosos recursos necessários ao desenvolvimento da civilização.Na nossa relação com a Terra, não somos meramente uma doença. Com nossa inteligência e nossa capacidade de comunicação, somos o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia foi vista do espaço e ganhou consciência de seu lugar no Universo. Devemos, portanto, ser o coração e a mente da Terra e não a sua doença. Teremos de ser fortes e parar de pensar unicamente em nossos direitos e necessidades. Precisamos tomar consciência de que prejudicamos a vida na Terra e temos de fazer as pazes com Gaia. Devemos fazer isso enquanto ainda somos fortes o bastante para negociar, e não quando formos hordas descabeçadas, conduzidas por brutais Senhores da Guerra. Sobretudo, devemos recordar que somos parte da Terra e que ela é, antes de mais nada, o nosso lar.
Num artigo apavorante e ao mesmo tempo esclarecedor, James Lovelock, renomado cientista especializado em análises ambientais, adverte: “A Terra está entrando em um estado febril que pode durar mais de 100 mil anos”.
POR JAMES LOVELOCK - FOTOS: GREENSPEACE
Imagine um policial novato extremamente entusiasmado com o cumprimento de seu dever. Imagine agora que ele tenha de dizer a uma família que seu filho foi brutalmente assassinado a pauladas. Ou então, pense em um médico que recebe a incumbência de lhe dizer que você tem um tumor maligno em metástase. Os médicos e policiais sabem que algumas pessoas aceitam a verdade com dignidade. Mas também sabem que outras tentarão negá-la veementemente, mesmo sabendo que isso não mudará a realidade.Sejam quais forem as reações, sem dúvida, dar notícias ruins é sempre uma tarefa difícil. Nós nos sentimos aliviados quando é um juiz quem dá uma sentença de pena de morte. Afinal, temos o conforto de ao menos saber que essa decisão tem uma justificativa moral. Já os médicos e os policiais não têm nenhuma válvula de escape ao cumprir seus deveres. Por essa mesma razão, esse é, para mim, o artigo mais difícil que eu já tive de escrever.
A hipótese que desenvolvi, conhecida como Teoria de Gaia (ver box), entende a Terra como um superorganismo vivo. Como tal, esse organismo pode desfrutar de boa saúde ou simplesmente adoecer.
A Teoria de Gaia fez de mim um médico planetário e o que faço aqui é uma séria análise técnica. Nesse momento, tenho a obrigação profissional de trazer uma má notícia a vocês: os centros de análises climáticas em todo o planeta, que são os equivalentes aos laboratórios de patologia dos hospitais, analisaram as condições físicas da Terra e constataram que ela sofre de uma grave doença. Ela está a ponto de contrair uma febre fatal que poderá durar cerca de 100 mil anos.
Como médico, devo dizer a você, que é membro dessa grande família chamada Terra, que toda a sua civilização está correndo um grave perigo.
Nos últimos três bilhões de anos nosso planeta manteve-se saudável e apto a permitir o desenvolvimento da vida de modo natural. Mas nós poluímos e arranhamos em excesso esse paciente, e o fizemos num momento em que o Sol está superaquecido. Assim, provocamos em Gaia uma febre que agora está se transformando em estado de coma. A Terra já passou por uma situação trágica como essa e demorou mais de 100 mil anos para se recuperar. Nós somos responsáveis por essa nova onda febril e sofreremos duramente as suas conseqüências.
MORTANDADE DE PEIXES
Provocada pelo aquecimento global, a intensa seca atingiu a Amazônia em outubro de 2005 matou, só no Lago do Rei, no município de Várzea (AM), cem toneladas de peixes.
Se continuarmos nesse ritmo que conduzao desequilíbrio ambiental, ainda neste século, a temperatura se elevará em cerca de 8oC nas regiões temperadas e 5oC nos trópicos. Grande parte da massa tropical da Terra se tornará deserta, limitando ainda mais os seus mecanismos de auto-regulação. Some-se a isso o fato de que já devastamos 40% de sua superfície com as atividades industriais e agropecuárias e as perspectivas se tornam ainda mais sombrias. Curiosamente, a poluição causada pelo uso de aerossóis no Hemisfério Norte reduz o aquecimento global ao criar uma camada que reflete a luz solar de volta ao espaço. Esse “escurecimento global” é transitório e poderá desaparecer em pouco tempo, deixando-nos inteiramente expostos ao calor da estufa global. Nesse momento, vivemos um clima enganoso, que é mantido acidentalmente fresco pela camada de poluentes. Porém, o desenlace mais provável é que bilhões de pessoas morrerão antes do final do século 21. Os únicos sobreviventes serão os povos que habitam a região do Ártico, onde o clima ainda permanecerá tolerável. Nós não estamos percebendo que a Terra regula sintomaticamente seu clima e sua composição. Estamos cometendo um erro gravíssimo ao tentar cuidar, nós mesmos, dessa tarefa, como se estivéssemos no comando desses mecanismos reguladores altamente complexos.
Essa tentativa descabida nos condena ao pior tipo de escravidão.Se nos elegermos como administradores do planeta, automaticamente nos tornaremos responsáveis por manter sua atmosfera, oceanos e superfícies sempre favoráveis à vida. Logo descobriremos que essa é uma tarefa impossível de ser realizada. Afinal, temos retribuído com devastação desenfreada a todas as comodidades que o planeta nós tem graciosamente oferecido por milênios.Para compreender como essa tarefa é impossível, pense como você, caso estivesse gravemente adoecido, poderia regular sua própria temperatura ou a composição de seu sangue sem ajuda médica. Pessoas que têm rins debilitados conhecem bem a interminável dificuldade diária de ajustar equilibradamente as entradas de água, sal e proteínas no organismo. O apoio tecnológico da diálise pode até ajudar, mas está longe de se comparar com a qualidade garantida por rins que funcionam saudavelmente.
Em meu novo livro, A Vingança de Gaia, faço uma extensa análise dessas questões. No entanto, você ainda pode estar se perguntando: “Por quê a ciência demorou tanto tempo para reconhecer a verdadeira natureza da Terra?”Acredito que seja porque a visão de Darwin foi tão clara e tão bem elaborada que, até hoje, estamos assimilando os seus conceitos. Contudo, vale lembrar que, quando ele desenvolveu a Teoria da Evolução das Espécies, o conhecimento sobre a química da atmosfera e dos oceanos ainda era muito limitado. Darwin não dispunha de informações suficientes para saber que os organismos vivos tanto podem se adaptar ao meio ambiente como podem, também, provocar alterações nele.Se Darwin soubesse que a vida e o meio ambiente estão conectados de maneira tão íntima, ele veria que a evolução envolve não apenas os organismos vivos, mas a superfície planetária como um todo.
GLACIARES DESAPARECEM
O retrocesso do gelo é evidente.
Nós vimos a Terra do espaço e, lá de cima, pudemos percebê-la como um organismo vivo. Sabemos que não podemos poluir o ar ou usar a superfície terrestre – os ecossistemas de suas florestas e oceanos – como uma mera fonte de produtos para nos alimentar e fornecer mais conforto. Sabemos instintivamente que esses ecossistemas devem ser preservados porque fazem parte da Terra viva. Sendo assim o que deveríamos fazer? Primeiramente, temos de nos conscientizar do ritmo acelerado em que as mudanças ambientais estão ocorrendo. E também de como temos pouco tempo para agir se quisermos evitar o pior. Diante da urgência desse quadro, cada comunidade e cada nação devem fazer o melhor uso de seus recursos para garantir a sobrevivência da civilização pelo maior tempo possível. A civilização é movida a energia e nós não podemos simplesmente desligá-la. Portanto, necessitamos de uma redução de consumo em bases seguras. Devemos ser conscientes de que devemos pensar na humanidade como um todo e não apenas em nós mesmos.
A mudança ambiental é global, mas cada região do globo tem suas particularidades. Eu, por exemplo, moro na Inglaterra. Nós, cidadãos britânicos, temos de tratar das conseqüências aqui no Reino Unido. Infelizmente, temos tantas áreas urbanizadas em nossa nação que hoje somos praticamente uma única grande cidade. Restaram pouquíssimas áreas para a agricultura e para a preservação das florestas.
Assim, nós ingleses, dependemos do mundo para sobreviver. A mudança climática irá nos negar as fontes de alimento e de combustível que vêm de outros países. Na Inglaterra, podemos até crescer mantendo um nível de consumo como o que adotamos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas chega a ser ridícula a idéia de que meu país tem terra suficiente para produzir biocombustíveis ou para implantar fazendas movidas à energia eólica.
EXTINÇÃO DE ESPÉCIES
Espécies delicadas como o beija-flor nectarina, da África do Sul, serão duramente afetadas pelo efeito estufa e poderão se extinguir.
Tenho certeza de que nós, ingleses, faremos de tudo para sobreviver. Mas infelizmente não vejo os Estados Unidos ou as grandes economias emergentes, como a China e a Índia, voltando no tempo. O pior é que sabemos que esses países são os que mais emitem gases na atmosfera. A catástrofe irá ocorrer e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal. O mais triste de tudo é que Gaia perderá muito mais do que nós. Não serão apenas animais selvagens e ecossistemas inteiros que irão desaparecer: desaparecerão também preciosos recursos necessários ao desenvolvimento da civilização.Na nossa relação com a Terra, não somos meramente uma doença. Com nossa inteligência e nossa capacidade de comunicação, somos o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia foi vista do espaço e ganhou consciência de seu lugar no Universo. Devemos, portanto, ser o coração e a mente da Terra e não a sua doença. Teremos de ser fortes e parar de pensar unicamente em nossos direitos e necessidades. Precisamos tomar consciência de que prejudicamos a vida na Terra e temos de fazer as pazes com Gaia. Devemos fazer isso enquanto ainda somos fortes o bastante para negociar, e não quando formos hordas descabeçadas, conduzidas por brutais Senhores da Guerra. Sobretudo, devemos recordar que somos parte da Terra e que ela é, antes de mais nada, o nosso lar.
Osho - sobre o ato de ouvir...

Almas conscientes, antes de tudo, por favor, aceitem o meu amor.
Essa é a única coisa com a qual eu posso dar-lhes as boas vindas ao isolamento e reclusão destas montanhas. Na verdade, eu nada mais tenho a dar a vocês. Eu quero compartilhar com vocês o infinito amor que a proximidade com o divino criou em mim. Eu quero distribuí-lo. E a maravilha disso é que quanto mais eu compartilho esse amor, mais ele cresce! Talvez a verdadeira riqueza seja aquela que aumenta com a distribuição. A riqueza que diminui quando é compartilhada, não é verdadeira riqueza, de modo algum.Vocês então aceitam o meu amor?
Eu vejo aceitação em seus olhos e eu vejo também que seus olhos se tornaram repletos de amor em reciprocidade. Amor invoca amor e ódio invoca ódio. Tudo aquilo que nós damos retorna para nós. Essa é uma lei eterna. Assim, tudo aquilo que você deseja receber, é aquilo que você deve dar ao mundo. Você não pode receber flores em retribuição a espinhos.
Eu vejo flores de amor e paz desabrochando em seus olhos. Eu estou em profunda gratidão por isso, agora, nós não somos muitos aqui: o amor nos junta e faz com que muitos se tornem um. Corpos físicos estão separados e continuarão separados, mas existe alguma coisa por trás dos corpos que se encontra no amor, que se torna um através do amor. Só depois dessa unidade, de nos tornarmos um, é que alguma coisa pode ser dita e compreendida. A comunicação só é possível no amor.
Nós nos reunimos nesse lugar isolado para que eu possa dizer algo a vocês e vocês possam me ouvir. Esse dizer e esse ouvir não são possíveis sem uma corrente de amor. As portas do coração somente se abrem para o amor. E lembre-se de que somente quando alguém ouve com o coração, e não com a cabeça, é que o ouvir acontece. Você pode me perguntar, 'o coração também ouve?' e eu lhe direi que sempre que o ouvir acontece, é sempre através do coração. A cabeça nunca ouviu qualquer coisa. A cabeça é uma pedra surda. E isso também é verdadeiro quanto ao falar. Somente quando as palavras vêm do coração, elas são cheias de significado. Somente quando as palavras vêm do coração, elas têm a fragrância das flores frescas; se não for assim, elas serão apenas envelhecidas e murchas, elas serão artificiais - flores plásticas.
Eu vou derramar o meu coração em vocês, e se os corações de vocês permitirem-me entrar, haverá um encontro e uma comunicação. E então, naquele momento de encontro, aquilo que as palavras são incapazes de expressar, será comunicado. Muitas coisas não ditas serão ouvidas dessa maneira - aquilo que não pode ser colocado em palavras, aquilo que fica entrelinhas, também será comunicado. Palavras são indicações muito impotentes, mas se ouvidas em paz total da mente e em silêncio, elas se tornam potentes. Isso é o que eu chamo de ouvir com o coração.
Mas, geralmente, mesmo quando ouvimos alguém, nós permanecemos cheios de nossos próprios pensamentos. Esse é o 'falso ouvir'. Então você não é um shravak, um ouvinte. Você está apenas sob a ilusão de que você está ouvindo, mas de fato você não está. Para 'ouvir corretamente', é necessário que a mente esteja em estado de observação, completamente silenciosa. Quando você está apenas ouvindo e nada mais está fazendo, somente então você será capaz de ouvir e compreender, e essa compreensão se tornará luz e transformação dentro de você. Se assim não acontecer, então você não está ouvindo a quem quer que seja, mas apenas a si mesmo, você permanece cercado por um tumulto enfurecido dentro de você. E quando você está envolvido dessa maneira nada pode ser comunicado a você. Então você parece estar vendo, mas não está; você parece estar ouvindo, mas não está.
Cristo disse: 'aqueles que têm olhos para ver, que vejam. Aqueles que têm ouvidos para ouvir, que ouçam.' Estava ele dizendo que as pessoas não tinham olhos nem ouvidos? É claro que elas tinham olhos e ouvidos, mas a mera presença de olhos e ouvidos, não é suficiente para ver e ouvir. Algo mais é necessário e sem isso a existência ou não existência de olhos e ouvidos dá no mesmo. Aquele algo mais é o silêncio interior e a consciência observadora. Somente quando essas qualidades estão presentes é que as portas da mente se abrem e algo pode ser dito e ouvido.
Eu espero que vocês me ouçam dessa maneira durante o período deste campo de meditação. Uma vez que vocês tenham aprendido isso, isso se tornará sua companheira por toda a vida. Isso será o suficiente para livrá-lo de preocupações triviais.Você poderá se despertar para o grande universo misterioso externo e você poderá experienciar a eterna e infinita luz de consciência escondida por trás do tumulto de sua mente.
Ver corretamente e ouvir corretamente não são meras necessidades para este campo de meditação, são, na verdade, os pilares para todo um viver corretamente. Da mesma maneira que tudo é claramente refletido através de um lago totalmente calmo, sem ondas, também é verdade que o divino será refletido em você quando você se tornar calmo e quieto como o lago. Eu estou vendo um grande silêncio crescendo em vocês. Os seus olhos - a sede pela vida que eu vejo em vocês - estão me convidando a dizer aquilo que eu quero dizer. Eles estão me apressando a revelar as verdades que eu tenho visto e que mexeram com minha alma, porque os seus corações estão ansiosos e impacientes por compreendê-las.Vendo o quanto vocês estão desejosos e prontos, meu coração está também pronto para se derramar em vocês. Nessa paz que nos circunda, com o estado cheio de paz de suas mentes, eu certamente serei capaz de dizer o que quero dizer para todos vocês. Se eu tivesse encontrado ouvidos surdos diante de mim, eu iria me segurar. A luz não permanece do lado de fora quando ela encontra as portas de sua casa fechadas? Da mesma forma eu fico parado do lado de fora de muitas casas. Mas é um bom sinal as suas portas estarem abertas. É um bom começo.
Essa é a única coisa com a qual eu posso dar-lhes as boas vindas ao isolamento e reclusão destas montanhas. Na verdade, eu nada mais tenho a dar a vocês. Eu quero compartilhar com vocês o infinito amor que a proximidade com o divino criou em mim. Eu quero distribuí-lo. E a maravilha disso é que quanto mais eu compartilho esse amor, mais ele cresce! Talvez a verdadeira riqueza seja aquela que aumenta com a distribuição. A riqueza que diminui quando é compartilhada, não é verdadeira riqueza, de modo algum.Vocês então aceitam o meu amor?
Eu vejo aceitação em seus olhos e eu vejo também que seus olhos se tornaram repletos de amor em reciprocidade. Amor invoca amor e ódio invoca ódio. Tudo aquilo que nós damos retorna para nós. Essa é uma lei eterna. Assim, tudo aquilo que você deseja receber, é aquilo que você deve dar ao mundo. Você não pode receber flores em retribuição a espinhos.
Eu vejo flores de amor e paz desabrochando em seus olhos. Eu estou em profunda gratidão por isso, agora, nós não somos muitos aqui: o amor nos junta e faz com que muitos se tornem um. Corpos físicos estão separados e continuarão separados, mas existe alguma coisa por trás dos corpos que se encontra no amor, que se torna um através do amor. Só depois dessa unidade, de nos tornarmos um, é que alguma coisa pode ser dita e compreendida. A comunicação só é possível no amor.
Nós nos reunimos nesse lugar isolado para que eu possa dizer algo a vocês e vocês possam me ouvir. Esse dizer e esse ouvir não são possíveis sem uma corrente de amor. As portas do coração somente se abrem para o amor. E lembre-se de que somente quando alguém ouve com o coração, e não com a cabeça, é que o ouvir acontece. Você pode me perguntar, 'o coração também ouve?' e eu lhe direi que sempre que o ouvir acontece, é sempre através do coração. A cabeça nunca ouviu qualquer coisa. A cabeça é uma pedra surda. E isso também é verdadeiro quanto ao falar. Somente quando as palavras vêm do coração, elas são cheias de significado. Somente quando as palavras vêm do coração, elas têm a fragrância das flores frescas; se não for assim, elas serão apenas envelhecidas e murchas, elas serão artificiais - flores plásticas.
Eu vou derramar o meu coração em vocês, e se os corações de vocês permitirem-me entrar, haverá um encontro e uma comunicação. E então, naquele momento de encontro, aquilo que as palavras são incapazes de expressar, será comunicado. Muitas coisas não ditas serão ouvidas dessa maneira - aquilo que não pode ser colocado em palavras, aquilo que fica entrelinhas, também será comunicado. Palavras são indicações muito impotentes, mas se ouvidas em paz total da mente e em silêncio, elas se tornam potentes. Isso é o que eu chamo de ouvir com o coração.
Mas, geralmente, mesmo quando ouvimos alguém, nós permanecemos cheios de nossos próprios pensamentos. Esse é o 'falso ouvir'. Então você não é um shravak, um ouvinte. Você está apenas sob a ilusão de que você está ouvindo, mas de fato você não está. Para 'ouvir corretamente', é necessário que a mente esteja em estado de observação, completamente silenciosa. Quando você está apenas ouvindo e nada mais está fazendo, somente então você será capaz de ouvir e compreender, e essa compreensão se tornará luz e transformação dentro de você. Se assim não acontecer, então você não está ouvindo a quem quer que seja, mas apenas a si mesmo, você permanece cercado por um tumulto enfurecido dentro de você. E quando você está envolvido dessa maneira nada pode ser comunicado a você. Então você parece estar vendo, mas não está; você parece estar ouvindo, mas não está.
Cristo disse: 'aqueles que têm olhos para ver, que vejam. Aqueles que têm ouvidos para ouvir, que ouçam.' Estava ele dizendo que as pessoas não tinham olhos nem ouvidos? É claro que elas tinham olhos e ouvidos, mas a mera presença de olhos e ouvidos, não é suficiente para ver e ouvir. Algo mais é necessário e sem isso a existência ou não existência de olhos e ouvidos dá no mesmo. Aquele algo mais é o silêncio interior e a consciência observadora. Somente quando essas qualidades estão presentes é que as portas da mente se abrem e algo pode ser dito e ouvido.
Eu espero que vocês me ouçam dessa maneira durante o período deste campo de meditação. Uma vez que vocês tenham aprendido isso, isso se tornará sua companheira por toda a vida. Isso será o suficiente para livrá-lo de preocupações triviais.Você poderá se despertar para o grande universo misterioso externo e você poderá experienciar a eterna e infinita luz de consciência escondida por trás do tumulto de sua mente.
Ver corretamente e ouvir corretamente não são meras necessidades para este campo de meditação, são, na verdade, os pilares para todo um viver corretamente. Da mesma maneira que tudo é claramente refletido através de um lago totalmente calmo, sem ondas, também é verdade que o divino será refletido em você quando você se tornar calmo e quieto como o lago. Eu estou vendo um grande silêncio crescendo em vocês. Os seus olhos - a sede pela vida que eu vejo em vocês - estão me convidando a dizer aquilo que eu quero dizer. Eles estão me apressando a revelar as verdades que eu tenho visto e que mexeram com minha alma, porque os seus corações estão ansiosos e impacientes por compreendê-las.Vendo o quanto vocês estão desejosos e prontos, meu coração está também pronto para se derramar em vocês. Nessa paz que nos circunda, com o estado cheio de paz de suas mentes, eu certamente serei capaz de dizer o que quero dizer para todos vocês. Se eu tivesse encontrado ouvidos surdos diante de mim, eu iria me segurar. A luz não permanece do lado de fora quando ela encontra as portas de sua casa fechadas? Da mesma forma eu fico parado do lado de fora de muitas casas. Mas é um bom sinal as suas portas estarem abertas. É um bom começo.
Escutatória (Por Rubem Alves)

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.
A música acontece no silêncio.
É preciso que todos os ruídos cessem.
No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.
A música acontece no silêncio.
É preciso que todos os ruídos cessem.
No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
Bordas
Em Ecologia se vê que as bordas entre diferentes ecossistemas sempre são mais produtivos do que cada ecossistema o é individualmente, posto que a área de borda pode manter espécies de dois ou mais ecossistemas e também espécies únicas em uma área (borda) que representam a mescla dos ecossistemas vizinhos.
Uma linha sinuosa (para quebra-vento, por exemplo) é mais larga que uma línha reta ainda que conectem os mesmos pontos – têm mais borda e esta linha pode ser plantada com mais plantas úteis – e em si é mais efetiva como quebra-ventos.
Existem vários estilos de bordas. Deve-se usá-las o máximo possível. O desenho de tanque de roda cria uma boa borda de água/jardim – cultivo para cultivo de castanhas de água, ou ervas de menta, entre outras.
http://permacoletivo.wordpress.com/permacultura/
Uma linha sinuosa (para quebra-vento, por exemplo) é mais larga que uma línha reta ainda que conectem os mesmos pontos – têm mais borda e esta linha pode ser plantada com mais plantas úteis – e em si é mais efetiva como quebra-ventos.
Existem vários estilos de bordas. Deve-se usá-las o máximo possível. O desenho de tanque de roda cria uma boa borda de água/jardim – cultivo para cultivo de castanhas de água, ou ervas de menta, entre outras.
http://permacoletivo.wordpress.com/permacultura/
Kama Manas
Kama (O instinto)
Também chamado de desejo animal, representa a nossa inteligência primitiva. É o que comanda nossas necessidades animais tais como sexo, fome, sede, necessidades fisiológicas, raiva primitiva, ódio, amor primitivo, inveja, agressividade, medo, instinto de sobrevivência, etc.
É o animal que existe dentro de nós. A inteligência primitiva que nos mantém com os “pés no chão”, como dizem os céticos quando querem dar valor ao real em detrimento do místico. Kama provoca-nos a ilusão da materialidade grosseira e nos impede de ver claramente a espiritualidade. O que vale para este princípio é a força bruta, os desejos carnais, animais. O famoso Sutra das posições sexuais, o Kama-Sutra, tem seu nome justamente por tratar do desejo sexual animal deste princípio.
Unido à parte inferior do próximo princípio, Manas, a Mente, resulta na nossa inteligência básica, racional, que nos diferencia dos animais.
Manas (O Pensador)
Este Princípio representa a conexão com o divino, a faísca de Brahman hospedando-se na carcaça recém formada de tecidos vivos e estruturada racionalmente. É o hospede, o Eu verdadeiro do Ser. Ele se instala para poder evoluir através das experiências que este corpo lhe proporcionará. Seu objetivo maior, vivenciar tudo e aprimorar-se para poder voltar a se fundir com Brahman. Sendo de estrutura não material, ele usa do artifício de se dividir em duas partes: A primeira, o Manas-Inferior, mais grosseiro porém ainda muito rarefeito, se embebe nas células nervosas do corpo astral (o duplo), principalmente nas do cérebro, para utilizá-las. Através do corpo astral, se liga ás células correspondentes do corpo físico. Juntando-se a Kama, cria o Kama-Manas, que provoca o surgimento da mente racional humana, que nos faz pensar racionalmente e tomar decisões baseadas não somente no instinto, mas também na razão, a mente intelectual.
Esta influência de um Princípio não-material, não físico, num corpo físico, que é o nosso quaternário, se dá através de vibração, ou seja, Manas-inferior ao se aproximar (sem tocar) das estruturas do corpo astral, fá-las vibrar.
Assim como Manas influencia a Kama, o contrário também acontece com Kama influenciando a Manas e criando, ou melhor realçando, os desejos e satisfações carnais tais como as fantasias sexuais, as lembranças, o desejo de gloria, de reconhecimento, o egoísmo, etc.
É o que se chama de intelectualização dos desejos animais.
Dependendo da estrutura física do sistema nervoso do ser, que é resultado do Karma de outras vidas, o Manas poderá ou não executar plenamente suas potencialidades, resultando a personalidade do ser, num intelectual famoso ou num idiota primitivo.
Se nos lembrarmos dos peptídeos, as moléculas da emoção, vibrando ao encontrar seus ligantes, parece que tudo se encaixa perfeitamente. Ciência e misticismo caminham paralelamente...
A segunda, o Manas-Superior, é o principio puro, o Eu verdadeiro, a faísca de Brahman. Na verdade, não se pode falar em apenas dois Manas, o inferior e o superior. Existem infinitas graduações de Manas partindo desde o mais inferior ligado a Kama e influenciado por este, até o mais puro Manas, ligado ao criador.
A luta entre Kama e Manas, um tentando dominar o outro, é a luta do homem em sua caminhada pelas sucessivas reencarnações, até que finalmente, Manas vencerá e subjugará Kama, libertando o livre arbítrio para o homem.
Kama é o desejo, Manas é a vontade
No homem primitivo o desejo subjuga a vontade e mata o livre-arbítrio.
No homem em evolução, ora vence um, ora o outro.
No homem em iluminação, a vontade vence na maioria das vezes, mas ainda há momentos de duvida.
No iluminado, Manas toma conta de Kama e brilha em todo o seu esplendor, não há recaídas. A vontade e a clarividência divinas é que comandam. Neste estágio, com Manas em seu topo, libera-se a comunicação total com o Cosmos, o Criador.
http://ciencia-esoterismo.blogspot.com/2002/05/capitulo-9-os-7-principios-do-homem.html
Também chamado de desejo animal, representa a nossa inteligência primitiva. É o que comanda nossas necessidades animais tais como sexo, fome, sede, necessidades fisiológicas, raiva primitiva, ódio, amor primitivo, inveja, agressividade, medo, instinto de sobrevivência, etc.
É o animal que existe dentro de nós. A inteligência primitiva que nos mantém com os “pés no chão”, como dizem os céticos quando querem dar valor ao real em detrimento do místico. Kama provoca-nos a ilusão da materialidade grosseira e nos impede de ver claramente a espiritualidade. O que vale para este princípio é a força bruta, os desejos carnais, animais. O famoso Sutra das posições sexuais, o Kama-Sutra, tem seu nome justamente por tratar do desejo sexual animal deste princípio.
Unido à parte inferior do próximo princípio, Manas, a Mente, resulta na nossa inteligência básica, racional, que nos diferencia dos animais.
Manas (O Pensador)
Este Princípio representa a conexão com o divino, a faísca de Brahman hospedando-se na carcaça recém formada de tecidos vivos e estruturada racionalmente. É o hospede, o Eu verdadeiro do Ser. Ele se instala para poder evoluir através das experiências que este corpo lhe proporcionará. Seu objetivo maior, vivenciar tudo e aprimorar-se para poder voltar a se fundir com Brahman. Sendo de estrutura não material, ele usa do artifício de se dividir em duas partes: A primeira, o Manas-Inferior, mais grosseiro porém ainda muito rarefeito, se embebe nas células nervosas do corpo astral (o duplo), principalmente nas do cérebro, para utilizá-las. Através do corpo astral, se liga ás células correspondentes do corpo físico. Juntando-se a Kama, cria o Kama-Manas, que provoca o surgimento da mente racional humana, que nos faz pensar racionalmente e tomar decisões baseadas não somente no instinto, mas também na razão, a mente intelectual.
Esta influência de um Princípio não-material, não físico, num corpo físico, que é o nosso quaternário, se dá através de vibração, ou seja, Manas-inferior ao se aproximar (sem tocar) das estruturas do corpo astral, fá-las vibrar.
Assim como Manas influencia a Kama, o contrário também acontece com Kama influenciando a Manas e criando, ou melhor realçando, os desejos e satisfações carnais tais como as fantasias sexuais, as lembranças, o desejo de gloria, de reconhecimento, o egoísmo, etc.
É o que se chama de intelectualização dos desejos animais.
Dependendo da estrutura física do sistema nervoso do ser, que é resultado do Karma de outras vidas, o Manas poderá ou não executar plenamente suas potencialidades, resultando a personalidade do ser, num intelectual famoso ou num idiota primitivo.
Se nos lembrarmos dos peptídeos, as moléculas da emoção, vibrando ao encontrar seus ligantes, parece que tudo se encaixa perfeitamente. Ciência e misticismo caminham paralelamente...
A segunda, o Manas-Superior, é o principio puro, o Eu verdadeiro, a faísca de Brahman. Na verdade, não se pode falar em apenas dois Manas, o inferior e o superior. Existem infinitas graduações de Manas partindo desde o mais inferior ligado a Kama e influenciado por este, até o mais puro Manas, ligado ao criador.
A luta entre Kama e Manas, um tentando dominar o outro, é a luta do homem em sua caminhada pelas sucessivas reencarnações, até que finalmente, Manas vencerá e subjugará Kama, libertando o livre arbítrio para o homem.
Kama é o desejo, Manas é a vontade
No homem primitivo o desejo subjuga a vontade e mata o livre-arbítrio.
No homem em evolução, ora vence um, ora o outro.
No homem em iluminação, a vontade vence na maioria das vezes, mas ainda há momentos de duvida.
No iluminado, Manas toma conta de Kama e brilha em todo o seu esplendor, não há recaídas. A vontade e a clarividência divinas é que comandam. Neste estágio, com Manas em seu topo, libera-se a comunicação total com o Cosmos, o Criador.
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